O ministro das Relações Exteriores da Polônia levantou dúvidas públicas na sexta-feira sobre a adesão de Varsóvia à controversa iniciativa “Conselho da Paz”, lançada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, segundo a Anadolu.
Em um discurso em Washington, Radoslaw Sikorski abordou o possível papel da Polônia no novo órgão multinacional, anunciado no Fórum Econômico Mundial do mês passado e que visa supervisionar a reconstrução pós-conflito, especialmente na Faixa de Gaza.
De acordo com a proposta, espera-se que os Estados-membros permanentes contribuam com US$ 1 bilhão cada para um fundo de reconstrução controlado pelo Conselho.
Sikorski afirmou que tal contribuição não deve ser assumida sem uma justificativa clara. “Quero saber por que o contribuinte polonês deveria reconstruir Gaza, que não destruímos”, disse Sikorski em uma coletiva de imprensa, questionando tanto o custo quanto a lógica da possível participação da Polônia.
Ele afirmou que, se Varsóvia apoiasse os esforços de reconstrução, já existem orçamentos humanitários e de desenvolvimento disponíveis para esse fim.
Sikorski também expressou preocupação com o status legal do Conselho e sua estrutura operacional para além da atual administração americana, classificando sua estrutura como “muito incomum” e dizendo que não está claro qual seria o papel do órgão ou de seu líder após a saída de Trump do cargo.
As declarações de Sikorski foram uma resposta às medidas do presidente polonês Karol Nawrocki, que sinalizou que Varsóvia poderia discutir o convite em uma reunião do Conselho de Segurança Nacional em 11 de fevereiro.
O debate sobre o Conselho da Paz já gerou discussões políticas em Varsóvia, com Sikorski divulgando os resultados de uma pesquisa online que mostra opiniões divergentes sobre se a Polônia deveria participar ou assumir os compromissos financeiros relacionados à reconstrução de Gaza.
A controvérsia se intensificou esta semana com uma disputa diplomática pública entre o embaixador dos EUA na Polônia e um ministro do governo. O embaixador expressou “decepção” com o que descreveu como a falta de entusiasmo de Varsóvia em apoiar a candidatura de Trump ao Prêmio Nobel da Paz, uma atitude que, segundo ele, teria demonstrado solidariedade.







