Irã nega diplomacia ‘sob ameaças’, diante de acercamento militar dos EUA

23 minutos ago

Warning: foreach() argument must be of type array|object, null given in /www/wwwroot/monitordooriente.com/wp-content/plugins/amp/includes/templates/class-amp-post-template.php on line 236
Ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, discursa em Teerã, em 30 de novembro de 2025 [Ahmet Serdar Eser/Agência Anadolu]

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ressaltou nesta quarta-feira (27) que não pode haver diplomacia sob “ameaças” e acercamento militar, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir novos ataques a Teerã.

“Nossa posição é precisamente essa: exercer diplomacia via ameaças armadas não seria útil, tampouco efetivo”, comentou Araghchi, segundo a imprensa estatal. “Se eles querem negociar, devem abandonar ameaças, demandas excessivas e pautas irracionais”.

Na terça-feira, Trump se vangloriou de enviar uma nova “armada” rumo ao Irã, ao afirmar, no entanto, que a República Islâmica estaria buscando uma solução diplomática.

Para Araghchi, as negociações, contudo, carregam princípios, a serem conduzidas “em pé de igualdade, com base no respeito e benefício mútuos”.

“Que um dos lados busque alcançar seus objetivos pela força é inaceitável”, argumentou. “Isso não é diplomacia”.

Araghchi, porém, confirmou contatos com países regionais, para evitar uma guerra: “Seus embaixadores estão em comunicação direta com nossa chancelaria. Mantenho o contato com ministros. Na noite passada, falei com o chanceler do Catar”.

O diplomata insistiu que há um amplo entendimento regional de que confrontos armados “desestabilizariam todo o Oriente Médio, especialmente dada a natureza da presença dos Estados Unidos na região”.

“Essa compreensão compartilhada existe em toda nossa região”, acrescentou. “A região é absolutamente contrária a ameaças militares e todos creem que a instabilidade levaria a maiores desafios — portanto, todos se opõem”.

Seu vice-chanceler para Assuntos Legais e Internacionais, Kazem Gharibabadi, declinou igualmente “negociações em curso”, apesar de troca de contatos. “Mesmo se sentarmos juntos, não implica em reduzirmos nosso preparo militar”.

“Nossa prioridade não é negociar com os Estados Unidos, mas sim seguirmos preparados para defender nossa terra”, insistiu Gharibabadi. “Nossa resposta a qualquer ação militar será decisiva e dolorosa, e mesmo uma ação limitada terá uma réplica dura”.

“Não buscamos a guerra — nunca buscamos —, mas sabemos bem como nos defender”, concluiu.

Tensões entre as partes escalaram no contexto de protestos contra o regime iraniano, que eclodiram do Grand Bazar na capital em 28 de dezembro. Trump, junto de Israel, explorou as manifestações, e sua subsequente repressão, para reaver ameaças.

LEIA: Trump e a Venezuela: Treze vezes que os EUA impuseram mudanças de regime

Sair da versão mobile