A seleção nacional de futebol do Marrocos decidiu tomar ações legais após o fim caótico da Copa das Nações Africanas (Afcon), na partida pela taça contra o Senegal, no dia 18 de janeiro.
A intenção de um processo, anunciada ainda no dia seguinte, decorre de uma controversa ação da equipe senegalesa, que deixou o campo após o VAR confirmar um pênalti para o anfitrião Marrocos, segundos após a arbitragem anular um gol do time visitante.
A partida foi eventualmente retomada cerca de 16 minutos mais tarde, quando o veterano e meia-esquerda Sadio Mané trouxe Senegal de volta ao gramado. O marroquino Brahim Diaz então perdeu o pênalti, confirmado o placar zerado para o time da casa e o título de de Senegal, na prorrogação, por um a zero.
“A Federação Real Marroquina de Futebol anuncia que buscará ações legais junto da FIFA [Federação Internacional de Futebol] e da Confederação Africana de Futebol, para decidir sobre a saída de campo da seleção senegalesa durante a final contra o Marrocos, além de incidentes durante a partida, após o árbitro conceder um pênalti considerado correto por todos os especialistas”, declarou a organização em nota. “Esses eventos tiveram impacto considerável no curso normal da partida e na performance dos jogadores”.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) disse “avaliar todas as gravações e repassar a matéria aos órgãos competentes para tomar ações devidas”.
Pape Thiaw, técnico do Senegal, que chamou a equipe para fora do campo está agora sob risco de sanções. Esperava-se que Thiaw comentasse o protesto em coletiva de imprensa posterior à final, mas o técnico deixou rapidamente a sala, após ser vaiado por jornalistas marroquinos.
Walid Regragui, treinador do Marrocos, acusou Thiaw de “envergonhar” o futebol africano. “Um líder que pede a seus atletas que deixem o gramado. O que ele fez desonra a África”, condenou Regragui.
My view 🎥 of Senegal’s goal. Fair play to a great team and congratulations to the Senegalese people 🇸🇳
The atmosphere in the streets of Morocco, with Africans from all over the continent, has been beautiful to witness and very different from what we’ve seen in the stadiums. pic.twitter.com/IeVEryhwgD
— Leyla Hamed (@leylahamed) January 18, 2026
Em resposta, Pape Gueye, zagueiro senegalês que pontuou o único gol da partida, acusou o árbitro de cometer uma injustiça. “Sentimos que foi injusto. Teve uma falta contra nós, e o juiz escolheu ignorar o VAR”, destacou, ao justificar a saída. “Estávamos frustrados, mas Sadio [Mané] conversou conosco e nos levou de volta ao gramado”.
Mobilização online
Muitos torcedores expressaram frustração sobre o posicionamento da FIFA e da CAF nas redes sociais.
Alguns acusaram os jogadores senegaleses de ignorarem o fair play e não demonstrarem bom espírito esportivo, enquanto outros declararam apoio ao protesto do time, incluindo acusações às entidades desportivas de viés favorável ao anfitrião.
Sadio Mané is the hero of this AFCON final. Not just for what he did with the ball, but for the maturity he showed in what felt like an open festival of bias against clubs facing the host country. Had Senegal insisted on boycotting the match, a ban would almost certainly have… pic.twitter.com/nY8GP3qX34
— Gimba Kakanda (@gimbakakanda) January 18, 2026
Para um usuário da plataforma de rede social X (Twitter): “Senegal tirou da cartola a final mais técnica, de psicologia reversa, da história da Copa Africana. E, sim, é precisamente assim que se vence os corruptos e os ladrões”.
Outro argumentou: “Há quem diga que o Senegal fez o futebol africano voltar dez anos no tempo. Eu discordo. Penso que REVOLUCIONARAM o esporte”.
As frustrações se avultaram após um vídeo surgir de gandulas marroquinos apanhando a toalha do goleiro senegalês Edouard Mendy, empregue para lidar com o clima úmido que assolou a partida. Em outro registro, o capitão marroquino Achraf Hakimi, do Paris Saint-Germain, parece atirar uma das toalhas do time rival por cima de uma publicidade.
Ainda na segunda, o presidente da FIFA Gianni Infantino condenou a saída de campo dos atletas e membros da comissão técnica de Senegal, em meio às cenas de caos. Segundo o cartola, “vimos cenas lamentáveis nos campos e nas arquibancadas e condenamos nos mais firmes termos o comportamento de alguns ‘torcedores’, além de atletas e membros da comissão técnica de Senegal”.
Publicado originalmente em inglês pela rede Middle East Eye, em 20 de janeiro de 2026
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