O livro de Omar El Akkad nos força a olhar para a selvageria do imperialismo ocidental através do genocídio de Israel em Gaza. O livro “Um Dia, Todos Serão Contra Isso” (Canongate Books, 2025) marca um momento de acerto de contas para o mundo inteiro, diante da magnitude das atrocidades globais que culminaram em um genocídio em território bloqueado, diante daqueles que foram mortos, torturados, desaparecidos, soterrados sob os escombros, daqueles que sobreviveram e, em outras partes do mundo, daqueles que decidem a violência, dos espectadores passivos, dos cúmplices e daqueles que resistem.
Os fortes contrastes que abrem este livro preparam o terreno para a fúria que transborda, à medida que El Akkad expõe não apenas a política do genocídio em Gaza, mas também a política do imperialismo ocidental e sua armadilha para a humanidade. O meio-termo é exposto em sua letalidade, pois é ali que os argumentos a favor e contra são supostamente equilibrados em nome da neutralidade – uma neutralidade que sustenta a narrativa imperialista. “Porque é o centro do império que deve olhar para isso e dizer: Sim, isso é trágico, mas necessário, porque a alternativa é a barbárie”, escreve El Akkad.
RESENHA: Vítimas Perfeitas e a Política do Apelo
Após essa introdução, o autor ambienta a cena em sua casa de família em Portland, onde a estabilidade versus o desenraizamento são apresentados ao leitor. Ao proteger sua filha, no entanto, El Akkad observa a ruptura entre sua herança cultural e a educação dela: “Mas há uma falsidade nessas desculpas, não diferente de quando minha esposa e eu descobrimos que teríamos uma menina, e passei semanas e semanas pensando em nomes de bebê que funcionariam no Ocidente e no Oriente Médio, que lhe permitiriam transitar por muitos mundos sem problemas”. É um fardo que recai não apenas sobre o autor, e o que El Akkad chama de covardia – o impulso de proteger sua filha das ramificações de se associar a parte de sua herança cultural – logo se transforma em uma raiva justificada e intensa. Uma raiva direcionada à falsa premissa de segurança que o imperialismo ocidental exala – uma raiva que percebe como o silêncio não apenas cria impunidade para a violência, mas também impõe vários graus de subserviência.
A neutralidade fundamenta o que se desenrola neste livro. Ao dissecar a sociedade e a política, El Akkad coloca o jornalismo em xeque. “Na definição moderna e formal, adotada de uma forma ou de outra por quase todos os grandes jornais, o jornalista não pode ser ativista, devendo permanecer fiel a uma neutralidade que o apaga.”
Cada capítulo do livro aborda um tema, e é quase avassalador considerar a depravação da política que silenciou tantas vozes para justificar a violência. El Akkad conduz o leitor através do apoio dos EUA ao sionismo e ao genocídio, da suposta culpa coletiva que os palestinos deveriam sentir por votarem no Hamas para que o Ocidente possa justificar seu papel no genocídio israelense, do que é percebido como o mal menor nas eleições americanas, da censura à depravação ocidental e das atrocidades em Guantánamo, realizadas ostensivamente “para preservar os valores do mundo civilizado”.
