‘Basta’, diz ex-chefe da OTAN ao instar ‘linha vermelha’ sobre a Groenlândia

56 minutos ago

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Protestos contra anexação da Groenlândia por Washington, em Copenhague, Dinamarca, em 17 de janeiro de 2026 [Mohamed El-Shemy/Agência Anadolu]

A Europa deve assumir uma postura mais firme contra os “arroubos hostis” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobretudo no que concerne a Groenlândia, escreveu nesta terça-feira (20) Anders Fogh Rasmussen, ex-premiê da Dinamarca e ex-secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

As informações são da agência de notícias Anadolu.

Em artigo ao The Economist, Rasmussen reiterou o apoio militar histórico de seu país aos Estados Unidos, ao apontar: “Em 52 ocasiões distintas, de 2002 a 2021, caixões envoltos em nossa bandeira, voltaram para casa do Iraque e Afeganistão; soldados que deram sua vida lutando lado a lado com os Estados Unidos”.

“A Dinamarca, proporcionalmente a sua população, teve mais baixas que qualquer outro membro da coalizão americana, salvo a Geórgia”, acrescentou. “Mais até mesmo do que os Estados Unidos”

“Como primeiro-ministro da Dinamarca e secretário-geral da OTAN, vi os Estados Unidos como líderes naturais do mundo livre”, relembrou. “No entanto, ao ver os arroubos hostis do presidente Donald Trump contra um dos aliados mais leais da América, devo concluir que basta”.

A Groenlândia, argumentou, não impõe qualquer ameaça aos interesses americanos e é protegida sob a aliança. “Se China ou Rússia quisessem mesmo levar tropas à ilha, teriam de enfrentar a força combinada dos aliados da OTAN, não apenas da Dinamarca”.

Sob o acordo securitário americano-dinamarquês, de 1951, o Pentágono pode aumentar ainda sua presença no território atlântico, além de incentivos econômicos que amenizem a crise imposta por Trump.

“Se companhias americanas querem investir mais em recursos da Groenlândia”, sugeriu, “serão bem-vindas”.

Contudo, reconheceu que a diplomacia tradicional pode não funcionar com o presidente: “Trump quer anexar a Groenlândia porque crê que pode. Crê que a Europa está dividida e impotente, e que, quando vier com a pá, cederemos em nossas declarações de profundo repúdio para lhe dar o que quer”

Rasmussen, neste sentido, pediu forte resposta europeia: “Caso a gestão Trump tente de fato alterar fronteiras soberanas da Europa, Washington deve vivenciar o impacto total da ‘bazuca’ econômica da União Europeia — com restrições massivas de compra e vendas e revogação de licenças públicas a empresas americanas”.

De acordo com o ex-chefe da OTAN, cabe à Europa agir decisivamente: “Temos de traçar uma linha intransponível sobre a neve da Groenlândia. Devemos nos mover rapidamente para expandir nossas relações comerciais e deixarmos as asas e o risco dos caprichos de Washington”.

“A Europa tem uma escolha”, concluiu. “Ou reage às demonstrações de força de Trump — ou sofrerá as consequências”.

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