A oposicionista venezuelana María Corina Machado confirmou nesta quinta-feira (15) ter presenteado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com seu Prêmio Nobel da Paz, concedido no outubro, ao desafiar alertas do comitê norueguês de que sua honraria não poderia ser transferida.
As informações são da agência de notícias Anadolu.
“Presenteei o presidente americano com a medalha do Nobel da Paz”, ressaltou Machado a jornalistas em frente ao Capitólio, após se reunir com Trump e então parlamentares. De acordo com Machado, a ação decorreu como “reconhecimento [a Trump] de seu singular compromisso com a nossa liberdade”.
O Instituto do Nobel, contudo, reiterou na última sexta-feira (9) que o prêmio não poderia ser transferido, após sucessivas sugestões de Machado neste sentido, após intervenção militar de Trump na Venezuela, em 3 de janeiro, que incidiu no sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cília Flores.
“Os fatos são claros e muito bem estabelecidos”, alertou o comitê. “Uma vez que o Nobel da Paz é anunciado, não pode ser rescindido, compartilhado ou transferido a terceiros. A decisão é final e permanente”.
O prêmio foi conferido a Machado sob alegação de seus esforços para “promover direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta por uma transição justa e pacífica, da ditadura à democracia”. A honraria ignorou os apelos da oposicionista por intervenção e ataques estrangeiros a seu próprio país.
Nas redes sociais, Trump descreveu o encontro como “grande honra”: “Ela é uma mulher maravilhosa que passou por muita coisa. María me deu seu Nobel da Paz, pelo trabalho que eu fiz. Esse é um gesto muito bonito, de respeito mútuo. Obrigado, María”.
A senadores republicanos e democratas, em reunião anterior a sua audiência com Trump, Machado prometeu “tirar a Venezuela do eixo criminoso das Américas [sic] para torná-la um escudo de segurança para todo o hemisfério”.
“Vamos consolidar nossas instituições, o estado de direito e o livre mercado”, capitulou a opositora de Maduro, “e trazer de volta nossa gigantesca diáspora que sofreu demais, mas também aprendeu bastante”.
Maduro e Flores seguem detidos em Nova York, sob alegações relacionadas a cartéis de drogas e tráfico de armas. A agressão de Trump sucedeu meses de ameaças e disparos a barcos no Caribe e América do Sul.
Trump, até então, se negou a apoiar a liderança de Machado na Venezuela, ao argumentar que ela carece de apoio e respeito de seu povo: “Seria muito difícil para ela ser líder. Ela não tem apoio lá dentro. É uma mulher legal, mas não é respeitada”.
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, notou, após o encontro, que oficiais, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, “mantém contato constante” com a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, empossada interinamente em Caracas. Segundo Leavitt, Rodríguez tem sido “extremamente colaborativa”.
“Até então, cumpriram todas as demandas dos Estados Unidos e do presidente”, afirmou, ao notar a venda de US$500 milhões em petróleo venezuelano e soltura de opositores. “O presidente gosta do que vê e espera que continue assim”.







