O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, cúmplice da invasão ao Iraque em 2003, a seu chamado “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, incumbido de supervisionar o plano americano de 20 pontos à trégua no enclave, após dois anos de genocídio de Israel.
Nesta sexta-feira (16), a Casa Branca confirmou que Blair estará dentre os sete membros fundadores do órgão, ao lado do genro de Trump, Jared Kushner, arquiteto da capitulação planejada em seu primeiro mandato denominada “acordo do século”.
Outros membros serão o secretário de Estado americano, Marco Rubio, cristão sionista, e seu enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
Completam a lista o bilionário Marc Rowan, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e o assessor de segurança em Washington, Robert Gabriel.
O próprio Trump presidirá o conselho.
Segundo a Casa Branca, cada indivíduo será incumbido de uma “pasta específica para a estabilização e o sucesso de longo prazo da Faixa de Gaza, incluindo, mas não somente, governança, relações regionais, reconstrução, investimento, financiamento e mobilização de capital”.
Além do “Conselho de Paz”, devem se impor — sob o jugo de Trump — um comitê técnico de palestinos de Gaza para administrar interinamente o enclave, bem como uma unidade militar internacional intervencionista.
Para liderar o chamado Comitê Nacional para Administração de Gaza (NCAG, em inglês), foi anunciado Ali Sha’ath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina (AP). Segundo a Casa Branca, Sha’ath será responsável por “restaurar serviços públicos, reconstruir instituições civis e estabilizar o dia a dia”.
Um Conselho Executivo também foi constituído em apoio à capitulação, sob o pretexto de serviços, incluindo o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan; o ministro de Cooperação Internacional dos Emirados Árabes Unidos, Reem al-Hashimy; o chefe de inteligência do Egito, Hassan Rashad; entre outros.
Na quarta-feira (14), Witkoff anunciou o início da segunda etapa do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, ao insistir no desarmamento da resistência, apesar de reiteradas violações de Israel desde outubro, quando a trégua entrou em vigor.
O Hamas, de sua parte, promete manter armas, como parte da resistência legítima sob a lei internacional, e afirma seguir aberto a “qualquer proposta que preserve seus direitos, desde que assegurem o estabelecimento de um Estado palestino”.
Israel manteve ataques a Gaza nesta quinta-feira (15), apesar do anúncio, totalizando ao menos 71 mil mortos e 171 mil feridos desde outubro de 2023. Nos últimos quatro meses, desde que a suposta trégua entrou em vigor, foram 451 mortos e 1.251 feridos.
![Prédio do Banco da Palestina, cercado por tendas de refugiados, destruído por bombardeios de Israel, no bairro de al-Rimal, na Cidade de Gaza, em 15 de janeiro de 2026 [Saeed M. M. T. Jaras/Agência Anadolu]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/01/AA-20260116-40273318-40273314-DAMAGED_BANK_OF_PALESTINE_BUILDING_POSES_THREAT_OF_COLLAPSE.jpg)