clear

Criando novas perspectivas desde 2019

Israel mata ao menos cem crianças durante cessar-fogo, alerta Unicef

16 de janeiro de 2026, às 06h10

Médicos tratam criança ferida por ataques de Israel a tendas de refugiados, no Hospital Nasser, de Khan Younis, em 5 de fevereiro de 2026 [Abed Rahim Khatib/Agência Anadolu]

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reportou que ao menos cem crianças foram mortas por ataques israelenses na Faixa de Gaza sitiada desde outubro, apesar do suposto acordo de cessar-fogo, em vigor desde então.

James Elder, porta-voz da Unicef, declarou nesta terça-feira (13), em videoconferência de Gaza: “Podemos estimar um menino ou menina mortos a cada dia de cessar-fogo”.

Segundo o oficial, as hostilidades não cessaram e civis seguem em risco. Elder ressaltou que a grande maioria das mortes se deu por ataques militares de Israel, incluindo drones, aeronaves, tanques de guerra e disparos diretos.

Outras fatalidades, comentou Elder, decorreram da detonação de resíduos explosivos por todo o enclave.

Elder voltou a advertir para condições humanitárias extremamente precárias impostas às crianças, sem acesso a serviços e submetidas ao colapso amplo dos sistemas de saúde, educação e assistência social.

O oficial confirmou chances de subnotificação, devido às circunstâncias.

Elder destacou que dois anos de genocídio “tornaram inimaginavelmente difícil a vida das crianças em Gaza”.

A Unicef renovou alertas de que Gaza continua como um dos lugares mais perigosos do mundo para a infância, ao reivindicar, outra vez, proteção a civis e ajuda humanitária sem restrições.

“Um cessar-fogo que diminui os bombardeios é um avanço [sic], mas um que ainda mata crianças certamente não basta”, concluiu o oficial das Nações Unidas.

Desde 7 de outubro de 2023, forças israelenses — com apoio de Estados Unidos e Europa — mantém um genocídio em Gaza, incluindo bombardeios, destruição de infraestrutura, deslocamento à força, fome e transferência de civis a campos de detenção.

As ações ignoram medidas cautelares, bem como indiciamento, do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, que instou ações para prevenir o genocídio.

Estima-se ao menos 243 mil palestinos entre mortos e feridos, em maior parte mulheres e crianças, com mais de 11 mil desaparecidos e dois milhões de desabrigados.

LEIA: Catar confirma retirada de oficiais de al-Udeid, em meio a tensões regionais