Estados-membros da União Europeia estão conduzindo discussões de bastidores sobre a possibilidade de designar a Guarda Revolucionária do Irã, unidade de elite do exército do país, como “organização terrorista”, confirmou nesta segunda-feira (12) Anouar el-Anouni, porta-voz da Comissão Europeia, a jornalistas em Bruxelas.
“As discussões entre os Estados-membros seguem em curso sob normas de sigilo, como por procedimento estabelecido, e não poderemos entrar em detalhes”, insistiu el-Anouni, ao corroborar, porém, que a medida demandará unanimidade do bloco.
El-Anouni reiterou que a Guarda Revolucionária já está submetida a sanções abrangentes da União Europeia, incluindo relacionadas a abusos de direitos humanos, apoio à invasão russa na Ucrânia e supostas armas de destruição em massa.
“Estamos dispostos a asseverar novas sanções, mais severas, após a violenta repressão sobre os protestos”, acrescentou.
O Irã é tomado por manifestações contra a carestia e desvalorização da moeda desde 28 de dezembro, partindo do Grande Bazar na capital Teerã. Desde então, protestos tomaram diversas cidades de todo o país.
Sobre o futuro político do Irã, destacou el-Anouni: “Isso cabe ao povo iraniano. Mudanças de regime não são parte das políticas da União Europeia”. Todavia, expressou intenção de manter apoio à sociedade civil por vias econômicas e diplomáticas.
El-Anouni também comentou sobre Gaza, ao alegar que a Europa aguarda o anúncio dos Estados Unidos sobre a formação de um “conselho de paz internacional”. Para o oficial de Bruxelas, este seria “um passo importante” nos avanços regionais.
Segundo sua declaração, o conselho administrará uma fase transicional, com um comitê tecnocrata palestino responsável pelos serviços públicos em Gaza. “São incumbências importantes”, concluiu. “A União Europeia trabalhará para contribuir com isso”.
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