Candidato de raízes palestinas, apoiado por Trump, vence presidência em Honduras

Yasmine El-Sabawi
18 minutos ago

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Então presidente eleito de Honduras, Nasry Asfura, se reúne com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em Washington DC, em 12 de janeiro de 2026 [Freddie Everett/Departamento de Estado/Divulgação via Wikimedia]

Após um mês inteiro de contagem dos votos por problemas técnicos, alegações de fraude e interferência estrangeira, o vencedor da altamente concorrida eleição à presidência de Honduras foi anunciado à véspera do Natal: Nasry “Tito” Asfura, por acaso, a escolha de Washington ao cargo.

Ex-prefeito conservador da capital hondurenha, Tegucigalpa, e experiente empresário, em uma campanha de longa data por mais recursos estrangeiros no país, Asfura, de 67 anos, ganhou um impulso considerável pelas ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, sem qualquer precedente, em dezembro, ameaçou cortar todos os auxílios a Honduras, caso Asfura fosse derrotado.

A justiça eleitoral reconheceu que Asfura e seu adversário, o centrista Salvador Nasralla, estavam efetivamente empatados logo após as eleições, em 30 de novembro. Em último caso, cerca de 15% dos votos tiveram de ser contados à mão, confirmou a Reuters.

O resultado foi uma diferença de 0.74% entre ambos, com os votos a Asfura mensurados pouco acima de 40%.

“Estamos ansiosos em trabalhar com a próxima administração para avançar na parceria bilateral e securitária da região, dar fim à imigração ilegal aos Estados Unidos e fortalecer os laços econômicos entre nossos países”, comentou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em comunicado oficial.

“Os Estados Unidos instam a todos que respeitem os resultados”, acrescentou.

Tanto Nasralla quanto o presidente do Congresso em Honduras rejeitaram a contagem, ao sugerir que cédulas foram descartadas antes mesmo de serem aferidas.

A questão continua em aberto. Em 26 de dezembro, María Antonieta Mejía, uma das vice-presidentes de Asfura, afirmou que o cabeça de chapa assumiria posse em 27 de janeiro, em cerimônia no Congresso Nacional, em vez do tradicional evento no Estádio Nacional, sob pretexto de desejar um juramento “simbólico e modesto”, sem recorrer a um “enorme orçamento”.

Em 10 de janeiro, no entanto, o Congresso aprovou por maioria recontagem dos votos. A medida foi deferida, via decreto, pela atual presidente Xiomara Castro. Sob o decreto, se a justiça eleitoral se negar ao trabalho, o Congresso assumirá a incumbência.

Trump se volta à América Latina

Com um vencedor anunciado e parabenizado pelos Estados Unidos, não obstante, segue improvável que haja mudanças nos resultados.

A gestão Trump alterou boa parte da órbita da política externa americana, com novo foco em seu próprio hemisfério, na tentativa de bater movimentos e governos de esquerda de ponta a ponta no continente americano.

Uma das primeiras movimentações de Trump neste novo tabuleiro foi o apoio ao “ditador hypado” Nayib Bukele, de El Salvador, cujo infame sistema prisional mantém atualmente imigrantes deportados à força dos Estados Unidos.

José António Kast, de ultradireita, venceu as eleições presidenciais do Chile, ao suceder a Gabriel Boric, de esquerda e abertamente pró-Palestina. Rubio não vacilou em telefonar pessoalmente a Kast para parabenizá-lo. A gestão Trump também estendeu seu apoio ao presidente da Argentina, Javier Miler, igualmente extremista, cujo partido ganhou, apesar de protestos, o pleito legislativo no país ainda em outubro.

Asfura deve agora tomar o lugar de Xiomara Castro, também de esquerda, ao insistir, por exemplo, em ataques ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sequestrado por uma intervenção militar americana logo no começo do ano. Asfura também parece inclinado a conter, se possível, a crescente influência da China na região.

Parlamentares conservadores nas Américas, há muitas décadas, são também simpáticos aos interesses de Israel, ao insistirem em cair nas graças de Washington e, por inferência, obter resgates, empréstimos e investimentos oportunos.

Tudo isso se dá apesar do fato de que muitos desses políticos vêm de famílias palestinas ou árabes que migraram às Américas do Sul e Central na primeira metade do século XX. O próprio Asfura é de família cristã palestina, como seu oponente Nasralla. Carlos Facusse, liberado que governou Honduras de 1998 a 2002, era também palestino.

Bukele em El Salvador tem raízes em Belém e Jerusalém ocupadas.

Mario Abdo Benitez, outro conservador, presidente do Paraguai de 2018 a 2023, tem raízes libanesas, como numerosos políticos brasileiros do campo de direita, dentre os quais o também ex-presidente Michel Temer. Carlos Menem, cuja família viera da Síria, tornou-se infame por liderar a Argentina ao neoliberalismo na década de 1990.

Publicado originalmente em inglês pela rede Middle East Eye, em 25 de dezembro de 2025

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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