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Irã alerta para ‘resposta rápida’ a qualquer intervenção sobre os protestos no país

5 de janeiro de 2026, às 01h56

Ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante sessão de emergência da Organização para Cooperação Islâmica (OCI), em Jeddah, na Arábia Saudita, em 25 de agosto de 2025 [Ministério de Relações Exteriores do Irã/Agência Anadolu]

O Irã condenou as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de intervir a favor dos protestos em curso, após alegar cinco mortes, reportou a agência de notícias Anadolu. Segundo Teerã, em caso de ataque, a reposta será “rápida e abrangente”.

Em nota divulgada na sexta-feira (2), o Ministério de Relações Exteriores do Irã descreveu as ameaças como “de acordo com a política do regime sionista [Israel] de escalar tensões em toda a região”.

O alerta reiterou que os comentários de Trump “não são somente uma violação grosseira de regras e princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas e da lei internacional, no que diz respeito à soberania dos países, mas constituem também incitação à violência e ao terrorismo contra cidadãos iranianos”.

O comunicado reafirmou que qualquer ação contra o Irã “aumentaria o risco de arraigar o caos e a instabilidade na região [e que] os Estados Unidos seriam responsáveis por toda e qualquer consequência”.

Conforme o chanceler iraniano Abbas Araghchi, em nota no Twitter (X), seus concidadãos “estão protestando pacificamente, como é seu direito”. Casos de violência, acrescentou, são “incidentes isolados”, incluindo “ataques a uma delegacia e policiais”.

Araghchi insistiu que, dado o emprego de tropas da Guarda Nacional em grandes cidades americanas, Trump “deveria saber, mais do que todo mundo, que ataques criminosos às propriedades do Estado não podem ser tolerados”.

“É por isso que os comentários do presidente Trump”, argumentou, “provavelmente sob a influência daqueles que temem a diplomacia ou acreditam, erroneamente, que esta não é necessária, são imprudentes e perigosos”.

Araghchi concluiu ao notar que “assim como no passado, o povo do Irã rejeitará qualquer interferência em assuntos internos” e indicar que as Forças Armadas estão “de prontidão e sabem exatamente onde atingir em caso de violação da soberania”.

Comerciantes do Grande Bazar, em Teerã, lançaram protestos no fim de dezembro, contra a desvalorização do rial, moeda nacional, em meio a persistente crise econômica. Atos se espalharam pelo país.

O presidente Masoud Pezeshkian — moderado — reconheceu o descontentamento popular, bem como a responsabilidade do governo sobre os problemas.