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Colômbia entra em alerta após intervenção dos EUA na Venezuela

5 de janeiro de 2026, às 01h53

IMAGEM Fronteira Venezuela–Colômbia fechada em meio a ataques dos Estados Unidos a alvos venezuelanos, em Paraguachón, na região de Guajira, em 3 de janeiro de 2026 [Ronald Fuenmayor/Agência Anadolu]

A deposição e sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por intervenção do exército dos Estados Unidos, incitou alarde na vizinha Colômbia, onde analistas advertem para possibilidade de repercussões abrangentes.

As informações são da rede de notícias Al Jazeera.

O governo colombiano do presidente Gustavo Petro condenou os ataques americanos da manhã de sábado (3) contra a Venezuela, incluindo captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, ao descrever como violação da soberania do país e da América Latina.

Às três da manhã de sábado (09h00 GMT), Petro convocou um encontro emergencial de segurança, após o qual anunciou planos para fortificar seus 2.219 km de fronteira leste — região notavelmente volátil.

O Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo de esquerda e maior das forças rebeldes remanescentes na Colômbia, radicada na fronteira, alertou, em dezembro, a preparativos para defender seu país de qualquer “intervenção imperialista”.

Analistas de segurança notam risco, incluindo retaliação dentro e fora do território.

Outro componente crítico é o receio de uma crise migratória. No Twitter (X), Petro afirmou ampliar provisões humanitárias e dispensar “todos os recursos assistenciais a dispor do país para que sejam empregados em caso de influxo massivo de refugiados”.

A Colômbia recebe o maior número de refugiados venezuelanos do mundo, com cerca de três milhões dos oito milhões que deixaram o país nas sucessivas crises.

A onda prévia de migração em massa — em 2019, após a tentativa fracassada de golpe do oposicionista pró-Estados Unidos Juan Guaidó — requereu uma operação humanitária de larga escala para abrigar, alimentar e prover cuidados médicos aos refugiados.

A conjuntura atual, contudo, é mais árdua, dado corte de 70% dos recursos humanitários da Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAID) à Colômbia, sob decreto do presidente Donald Trump, em 2025.

“Há possibilidade real de movimento populacional a curto prazo, tanto preventivo quanto forçoso, sobretudo caso emerjam instabilidade, represália e vácuo de poder”, comentou Juan Carlos Vilória, liderança na diáspora venezuelana no país vizinho.

“A Colômbia”, reafirmou, “deve se preparar ao ativar mecanismo de proteção, corredores humanitários e sistemas de asilo, não somente ao responder a chegadas em potencial, mas também ao prevenir o caos e violações de direitos nas fronteiras”.

Maior crise nas relações EUA–Colômbia

Analistas indicam que a queda de Maduro impõem ameaças a Petro, crítico eloquente de Trump. Petro atraiu a ira trumpista nos meses recentes ao condenar avanços militares no Caribe, incluindo a morte de um pescador colombiano em águas territoriais.

Em retaliação, a Casa Branca sancionou Petro, ao caracterizar o mandatário eleito — sem provas — como “bandido” e “traficante”.

Trump, assim como no caso venezuelano, preconizou em diversas ocasiões chances de conduzir ataques a supostos centros de produção de drogas na Colômbia. Especialistas, porém, notam cautela por conta das relações entre Washington e o exército colombiano, sobretudo às vésperas das eleições presidenciais no país, em maio.

Petro, todavia, não deixou de criticar Maduro, ao descrevê-lo como “ditador” e se recusar, assim como Estados Unidos e outros países, a reconhecer sua reeleição em 2024, diante das denúncias de fraude.

O presidente colombiano ressaltou, não obstante, que não há legalidade em intervenções externas, ao insistir na defesa da soberania dos países e da lei internacional.

Ainda no sábado, Petro reivindicou uma sessão de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no qual seu país foi empossado como membro temporário há apenas alguns dias.

Os ataques de Trump à Venezuela contornaram o Congresso — ilegais, portanto, nacional e internacionalmente. Segundo o incumbente, a Venezuela, sobretudo seu petróleo, será gerida por Washington até uma “transição adequada, segura e judiciosa”.

Por meses, o Pentágono vem expandindo sua presença militar em toda América Latina, ao empregar fuzileiros, navios de guerra, jatos combatentes e bombardeiros, submarinos e drones, sob uma missão de falsa bandeira contra o narcotráfico.

Em dezembro, parlamentares americanos de ambos os partidos — Democrata, oposição, e Republicano, de Trump — introduziram uma resolução de poderes de guerra, no intuito de dissuadir a Casa Branca de hostilidades na Venezuela sem aval congressional.

O incidente sugere instabilidade regional e global, sobretudo por ação direta na América do Sul, contra um regime aliado da Rússia. Críticos advertem, em resposta, para avanços russos na Ucrânia e chineses em Taiwan.