Dois ofícios chegaram ao Itamaraty e ao presidente Lula no final de 2025 pedindo esforços redobrados para proteção e transferência do brasileiro-palestino Islam Hamed preso por Israel e de quem a família ficou sem notícias durante meses enquanto o genocídio se aprofundava em Gaza. Finalmente localizado, Islam não figura em listas israelenses para troca de prisioneiros. Nos breves períodos em que esteve solto, Islam teve negado um salvo conduto para vir ao Brasil, apesar das campanhas que mobilizaram o Itamaraty.
Islam foi preso aos 17 anos, sob a acusação de jogar pedras contra soldados israelenses. E depois passou por sucessivas detenções, inclusive no regime de prisão administrativa, no qual a pessoa permanece encarcerada por longos períodos sem acusação formal, com renovações semestrais. Em 2015, Islam iniciou uma greve de fome que se estendeu por cem dias, até ser colocado em liberdade temporária. Mas Israel impediu sua repatriação e voltou a prendê-lo pouco tempo depois.
Um dos ofícios foi encaminhado pelos deputados de São Paulo, Guilherme Cortez e Mônica Seixas, do PSOL, destacando que as ordens de prisão reiteradas são baseadas em acusações desacompanhadas das garantias do devido processo legal.
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Os deputados tomaram conhecimento da grave situação de Islam Hamed e do risco extremo que sofre em decorrência de longos anos de detenção e violações por Israel. Além disso, denunciam que “visitas familiares e contatos com representantes brasileiros foram drasticamente restringidos, ocasionando longos períodos sem qualquer comunicação. Tal circunstância aumenta a preocupação dos familiares quanto ao estado de saúde, à localização e às condições mínimas de dignidade e sobrevivência do nacional”.
A gravidade do caso é também destacada pelo deputado Maurici, do PT, autor de um segundo ofício.
“Relatos consistentes indicam que Islam Hamed foi submetido a tortura física e psicológica, períodos prolongados de isolamento, privação de alimentação adequada, ausência de atendimento médico, transferências forçadas entre unidades prisionais e severas restrições a visitas familiares e ao contato com representantes consulares brasileiros. Desde outubro de 2023, com a intensificação das operações militares israelenses, sua situação teria se agravado substancialmente, havendo inclusive longos períodos em que sua família e seu advogado permaneceram sem qualquer informação sobre seu paradeiro ou estado de saúde”, recorda o documento.
Ele chama a atenção também para a “dimensão profundamente humana e familiar do caso: durante breves períodos de liberdade, Islam constituiu família, mas permanece afastado de seus filhos em razão das detenções sucessivas. Ademais, foi-lhe negado o direito elementar de despedir-se de seu pai, falecido em acidente de trabalho, fato do qual permaneceu meses sem sequer ser informado enquanto estava sob custódia.”
As solicitações dos três parlamentares insistem em providências imediatas do Itamaraty para dar toda assistência necessária a Islam Hamed, verificando as condições de detenção, oferecendo assistência médica e assegurando sua repatriação ao Brasil, onde é esperado por familiares.
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