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Número de mortos em Gaza pode passar de 186.000, afirma The Lancet

Corpos dos palestinos mortos nos ataques israelenses ao campo de refugiados de Bureij são levados ao Hospital dos Mártires de Al-Aqsa em Deir al-Balah, Gaza, em 3 de junho de 2024 [Ashraf Amra/ Anadolu Agency]

A revista médica britânica The Lancet emitiu um alerta angustiante de que o verdadeiro número de mortos no conflito de Gaza pode ser superior a 186.000, representando 8% da população de Gaza, informa a Agência Anadolu.

O atual número oficial de mortos é de quase 38.200, de acordo com fontes do governo de Gaza.

Entretanto, o recente relatório da The Lancet, publicado na sexta-feira e intitulado “Counting the Dead in Gaza: Difficult but Essential”, sugere que esse número é uma subestimação significativa.

O número real provavelmente inclui milhares de pessoas ainda presas sob escombros e aquelas que sucumbiram aos efeitos secundários do conflito, como desnutrição, doenças e falta de assistência médica.

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Um dos principais contribuintes para a grande perda de vidas são as 14.000 bombas, cada uma pesando 2.000 libras, fornecidas pelos EUA a Israel. Essas bombas não apenas causaram vítimas imediatas, mas também devastaram a infraestrutura de Gaza, agravando as condições que levam a mais mortes.

A destruição de instalações de saúde, redes de distribuição de alimentos e sistemas de saneamento deixou a população em um estado perigoso.

A Lancet destaca a dificuldade de coletar dados precisos devido à destruição generalizada.

É provável que o número de mortes relatadas seja subestimado. A organização não governamental Airwars realiza avaliações detalhadas de incidentes na Faixa de Gaza e frequentemente descobre que nem todos os nomes de vítimas identificáveis estão incluídos na lista do Ministério. Além disso, a ONU estima que, em 29 de fevereiro de 2024, 35% dos edifícios na Faixa de Gaza haviam sido destruídos, portanto, o número de corpos ainda enterrados nos escombros é provavelmente substancial, com estimativas de mais de 10.000

aponta The Lancet.

A revista adverte:

Estima-se que o número total de mortos seja grande, dada a intensidade do conflito; a destruição da infraestrutura de saúde; a grave escassez de alimentos, água e abrigo; a incapacidade da população de fugir para locais seguros; e a perda de financiamento para a UNRWA, uma das poucas organizações humanitárias ainda ativas na Faixa de Gaza.

Nove meses após o início da guerra israelense, vastas áreas de Gaza estão em ruínas em meio a um bloqueio incapacitante de alimentos, água potável e medicamentos.

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