Ben-Gvir acusa Biden de relegar Israel em favor do ‘terrorismo’

O ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, chefe do partido supremacista Otzma Yehudit (Poder Judeu), condenou os Estados Unidos por não empregar seu poder de veto contra uma resolução por cessar-fogo imediato em Gaza, aprovada nesta segunda-feira (25) pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Na rede social X (Twitter), declarou Ben-Gvir: “O presidente [Joe] Biden não está priorizando Israel e a vitória do mundo livre [sic] sobre o terrorismo [sic], mas sim suas próprias considerações políticas”. Em seguida, acrescentou: “A ONU é um deserto”.

Ben-Gvir insistiu também em difamar a Organização das Nações Unidas (ONU) como “antissemita”, ao alegar que ninguém poderá impedir Israel de seguir com suas ações, nem mesmo os Estados Unidos.

“Nosso país está se tornando um Estado pária”, reconheceu o ministro. “Mas após o Conselho de Segurança tomar uma posição contra nós, devemos deixar a ONU imediatamente”, complementou.

A adesão de Israel às Nações Unidas é condicional ao direito de retorno dos refugiados da Nakba, ou “catástrofe” palestina — como é chamada a campanha de limpeza étnica que deu origem ao Estado de Israel, ao expulsar 800 mil pessoas de suas terras ancestrais e destruir 500 aldeias e cidades. O requisito, no entanto, jamais foi implementado.

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A resolução — vetada três vezes pelos Estados Unidos nos últimos seis meses — passou com unanimidade dos 15 membros do conselho, salvo abstenção americana. A aprovação da medida, embora insuficiente para conter a crise, sugere mudança de posição da Casa Branca, sob contundente crise interna em plena campanha eleitoral.

O cessar-fogo deve durar até o fim do mês islâmico do Ramadã, daqui duas semanas. Bombardeios israelenses realizados a Rafah e outras cidades, durante a madrugada, horas após a votação, indicam que a medida não será respeitada.

Israel mantém ataques indiscriminados a Gaza desde 7 de outubro, deixando 32.333 mortos e 74.694 feridos desde 7 de outubro, além de dois milhões de desabrigados.

Apesar de uma ordem do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia, de 26 de janeiro, Israel ainda impõe um cerco militar absoluto a Gaza — sem comida, água, medicamentos, energia elétrica ou combustível.

As ações israelenses são punição coletiva, crime de guerra e genocídio.

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