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Jornal israelense revela planos para impor teocracia judaica em toda a região

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Placas apontam direções ao parlamento israelense (Knesset), em Jerusalém ocupada, 6 de julho de 2021 [Mostafa Alkharouf/Agência Anadolu]

Fontes internas revelaram que membros de extrema-direita no parlamento israelense (Knesset) planejam converter o estado sionista em uma teocracia formal.

Israel é denunciado por crimes de apartheid contra os palestinos. Contudo, segundo dezenas de registros, discursos e artigos obtidos pelo jornal Haaretz, membros do bloco Sionismo Religioso buscam mover o país ainda mais ao caminho do fundamentalismo.

Dentre os autores dos textos reveladores, está o vice-ministro Avi Maoz, líder do partido Noam desde sua criação, em 2019. Maoz foi reeleito ao Knesset em 2022, pelo Sionismo Religioso. Um acordo com o partido Likud, liderado pelo premiê Benjamin Netanyahu, o levou ao governo.

Maoz é chefe de uma nova organização incumbida de monitorar a “identidade judaica” no país, o que corrobora suas ambições teocráticas.

Maoz vive em Silwan, bairro palestino na Cidade Velha de Jerusalém ocupada, e é membro ativo das associações coloniais Elad e Ateret Kohanim, que buscam “reivindicar” terras árabes. Sobre si mesmo, Maoz prometeu trabalhar para “judaizar a Galileia, Negev e diversos assentamentos em Judeia e Samaria [Cisjordânia ocupada]”.

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Segundo a reportagem, os discursos confirmam as raízes ideológicas de Maoz, assim como seus planos para implementar a soberania judaica “sobre tudo e todos”. Mordy Miller, articulista do Haaretz, argumentou que Israel passa hoje por uma transformação política e identitária.

O objetivo da doutrina de Maoz, conforme os relatos, é consolidar a visão política do rabino Zvi Thau, cujo grupo se radicalizou após a remoção do bloco de assentamentos ilegais Gush Katif da Faixa de Gaza, em meados de 2005.

Thau prometeu embarcar em uma campanha para assegurar que nenhum outro assentamento exclusivamente judaico jamais voltasse a ser desmantelado. O rabino culpou forças seculares no governo de Israel pela retirada de Gaza; sua mobilização culminou na criação do partido.

Além disso, a doutrina do Noam descreve seus membros como encarnação contemporânea dos Macabeus, grupo de guerreiros judeus que tomaram controle da Palestina antiga. Sua vertente de ultradireita os coloca como “filhos da luz”, incumbidos por Deus de combater o Ocidente, a esquerda, a elite acadêmica e o judaísmo não-ortodoxo.

Maoz falou sobre “expurgar a atmosfera pública de influências externas e incutir cada vez mais judaísmo e virtude à alma do país”.

Segundo Miller, o objetivo do partido é transformar o espaço público em espaço religioso.

“O judaísmo do Estado deve ser notório em cada esquina”, pregou Maoz, conforme os relatos. “Devemos fortalecer a imagem de Israel como estado judeu em todas as esferas … A identidade judaica do Estado deve ser clara, natural e direta e encher nossos corações de orgulho judeu. É por isso que tanto lutamos”.

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Em 2018, Israel deferiu sua Lei do Estado-nação, para reforçar o caráter supremacista judaico e a discriminação racial em seu establishment constitucional. Desde então, críticos alertam para o avanço de ataques coloniais e do fundamentalismo judaico na Palestina histórica.

 

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