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Mulher morre após ser presa pela polícia moral iraniana

Policial iraniana (à esquerda) adverte cidadã contra suas vestes durante campanha de repressão moral em Teerã, capital do Irã, em 22 de abril de 2007 [Majid Saeedi/Getty Images]

Mahsa Amini, cidadã iraniana de 22 anos, entrou em coma e faleceu após ser presa pela polícia moral da república islâmica, sob o pretexto de violação das regras de vestimenta, reportou seu tio nesta sexta-feira (16). O caso incitou protestos nas redes sociais.

As informações são da agência de notícias Reuters.

O Ministério do Interior e a Procuradoria Pública do Irã supostamente lançaram investigações sobre a morte de Amini, segundo pedido do presidente Ebrahim Raisi, corroborou a imprensa estatal. A televisão do governo, no entanto, não deu detalhes sobre a morte.

Segundo o tio da jovem, em entrevista ao website Emtedad, Amini faleceu após ser transferida de uma delegacia de costumes a um centro médico.

Nos meses recentes, grupos de direitos civis convocaram cidadãs iranianas a remover seu véu em público, com o intuito de contrapor a repressão do regime linha-dura a “comportamentos imorais” – isto é, violação do código fundamentalista islâmico imposto pelo regime.

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A polícia negou acusações de espancamento e alegou que Amini sofreu um infarto após ser levada à delegacia de costumes, para ser “convencida e educada”.

Após a convocação de protestos anti-hijab, vídeos viralizaram nas redes sociais nos quais forças de segurança reprimem com violência grupos de mulheres.

Mahmoud Sadeghi, político reformista e advogado de carreira, fez um apelo ao aiatolá Ali Khamenei para que comente o caso de Amini. “O que o Supremo Líder, que corretamente denunciou a polícia dos Estados Unidos pela morte de George Floyd, tem a dizer?”, insistiu Sadeghi em sua página do Twitter.

Em 2020, Khamenei alegou que o assassinato do cidadão afro-americano George Floyd, após ser detido pela polícia de Minneapolis, expunha a verdadeira natureza da estrutura de poder nos Estados Unidos.

Sob a sharia iraniana (lei islâmica), imposta após a Revolução de 1979, mulheres são obrigadas a cobrir seus cabelos e vestir roupas que encubram sua silhueta. Mulheres que eventualmente infringem as regras enfrentam agressões, multas e prisões.

Décadas após a revolução, os governantes teocráticos do Irã ainda têm dificuldades para aplicar a lei. Mulheres de todas as idades e classes sociais insistem em se vestir como suas mães e avós antes do advento do atual regime: isto é, sem a obrigatoriedade do véu.

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