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Como a América Latina reagiu ao último massacre israelense contra Gaza?

Ativistas chilenos protestam em solidariedade a Gaza, agosto de 2022 [OSP UC-Chile]
Ativistas chilenos protestam em solidariedade a Gaza, agosto de 2022 [OSP UC-Chile]

Um porta-voz do chefe de política externa da União Europeia – Josep Borrell – justificou o mais recente massacre contra a Faixa de Gaza ao destacar: “Embora Israel tenha direito de proteger sua população civil, é preciso fazer tudo a nosso alcance para impedir um conflito mais amplo”. A realidade é que – como potência ocupante – Israel não tem qualquer “direito” de apelar aos subterfúgios de “autodefesa” para executar e mutilar homens, mulheres e crianças.

Israel lançou sua ofensiva militar na sexta-feira – 5 de agosto de 2022 – ao eliminar Tayseer al-Jabari, figura de liderança do movimento de Jihad Islâmica, dentro de sua residência na Cidade de Gaza. Um cessar-fogo entrou em vigor na noite de domingo (7) após ao menos 44 mortos – incluindo quinze crianças – e mais de 360 feridos. Dezenas de novos prédios residenciais foram destruídos pelos bombardeios de Israel, repudiados por ativistas e figuras influentes em todo o mundo.

Comunidades na América Latina também se reuniram para protestar e denunciar os abusos da ocupação israelense na Faixa de Gaza. Há uma forte solidariedade com a Palestina ocupada na região, sobretudo no Brasil, Argentina, Chile e El Salvador.

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“Quero aqui me dirigir a todos os palestinos e palestinas contra mais esse ataque cruel, mais esse ataque brutal que sofrem de Israel, neste momento”, afirmou Paulo Pimenta, deputado federal brasileiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio Grande do Sul.

“Eu sou solidário à causa palestina e sou um soldado da luta do povo palestino”, prosseguiu. “Palestina livre é uma bandeira que unifica todos nós, homens e mulheres do mundo inteiro, que lutam por uma sociedade mais justa”.

No Chile, uma onda de solidariedade foi vivenciada durante os ataques. Ativistas convocaram marchas e protestos e denunciaram os crimes em curso perpetrados por Israel e seu exército contra os palestinos. O Grupo Parlamentar Chileno-Palestino condenou a ofensiva no Senado em Santiago: “Fizemos disso nosso dever, em relação aos eventos em Gaza, para rechaçar os bombardeios contra a população inocente na região”.

Reafirmou o grupo: “Como legisladores e amigos da Palestina, repudiamos tais eventos e temos esperanças de que tanto o governo chileno quanto a comunidade internacional, que condenam diariamente os acontecimentos na Ucrânia, denunciem também o que ocorre hoje na Palestina ocupada. O povo palestino tem o direito de viver em paz em sua terra”.

El Salvador tem uma das maiores comunidades palestinas na diáspora, fora do Oriente Médio, com quase cem mil pessoas. A comunidade palestino-salvadorenha criticou “veementemente” os ataques a Gaza, ao descrever o massacre israelense como “crime e violação das liberdades nacionais e internacionais”.

“A resistência é a única forma de derrotar a ocupação”, declarou Simaan Khoury – chefe da União Palestina da América Latina – ao MEMO. “Se a posição dos palestinos em sua terra é resistir e enfrentar diretamente a ocupação, então nós – palestinos na diáspora – temos de erguer nossas vozes e expor os crimes da ocupação”.

Khoury fez um apelo “a todas as facções de resistência e ao povo palestino em sua terra e na diáspora para permanecerem unidos contra a ocupação e sua agressão bárbara”. E destacou: “Como de costume, as autoridades da ocupação não cumpriram suas promessas; portanto, é nosso papel manter o apoio à resistência palestina na Faixa de Gaza”.

Mais outra vez, parece que o premiê israelense – neste caso, o “centrista” Yair Lapid – apelou a ataques contra a população de Gaza para obter ganhos políticos, à espera de uma nova eleição geral no estado sionista, em novembro próximo.

Não importa quanto sangue for derramado, quantos inocentes serão mortos, quanta destruição será deixada para trás; a ocupação executa sua chacina independente dos impactos à sociedade civil. Lapid não é diferente de seus antecessores ao sentir a urgência de demonstrar credenciais de “segurança” ao bombardear o pequeno território costeiro.

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O apartheid de Israel, sua veemente negativa de direitos básicos do povo palestino, os ataques aéreos, a limpeza étnica em curso e as agressões cotidianas são todas ações deliberadas com o mesmo objetivo: apagar a presença do povo palestino de sua própria terra.

A onda de solidariedade que varreu o mundo, no entanto, não pode ser apenas passageira, a desaparecer com o baixar das armas. Ativistas em solidariedade devem manter seus atos em favor dos direitos do povo palestino, até que a brutal ocupação israelense chegue ao fim.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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