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Israel estende fechamento de travessias de Gaza por medo de retaliação

Israel mantém fechadas as travessias de Erez e Karem Abu Salem, na Cidade de Gaza, 4 de agosto de 2022 [Ali Jadallah/Agência Anadolu]

Israel estendeu nesta quinta-feira (4) o fechamento das travessias da Faixa de Gaza sitiada, ao aumentar as restrições ao movimento de pessoas, bens e assistência humanitária, sob receios do exército de supostas retaliações pela prisão de um líder da resistência palestina.

As informações são da agência de notícias Reuters.

Na segunda-feira (1°), Israel prendeu Bassam al-Saadi, veterano do movimento palestino de Jihad Islâmica, durante uma incursão militar na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada. Na ocasião, um jovem de 17 anos foi executado.

Desde então, autoridades da ocupação selaram todas as travessias na fronteira nominal com Gaza, além de rodovias adjacentes, citando temores de retaliação.

A Jihad Islâmica declarou alerta absoluto entre seus militantes, ao indicar a possibilidade de resposta armada, após um vídeo circular na imprensa israelense no qual al-Saadi parece ser ferido durante sua prisão.

“Detectamos intenções do movimento palestino de Jihad Islâmica de conduzir atentados terroristas”, reiterou Nimrod Aloni, comandante israelense da divisão de Gaza, em vídeo divulgado pelas Forças Armadas.

O fechamento continuará “pelo tempo necessário”, insistiu Aloni.

As restrições entraram em seu terceiro dia nesta quinta-feira e impedem trabalhadores palestinos de atravessar a Israel. Além disso, afetam ao menos 50 pacientes por dia que precisam de cuidados fora de Gaza, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Autoridades israelenses não comentaram até então as circunstâncias da captura de al-Saadi. Não obstante, a imprensa local confirmou nesta quinta-feira que uma corte militar estendeu sua detenção por oito dias.

Após uma reunião de segurança, o Primeiro-Ministro de Israel Yair Lapid ameaçou, no Twitter, “agir ofensivamente contra qualquer organização que represente risco à segurança de nossos cidadãos”.

LEIA: Israel em alerta após prisão de líder palestino

Desde 2007, quando o Hamas passou a governar Gaza, a ocupação israelense impõe um severo bloqueio militar por ar, mar e terra contra o pequeno território costeiro.

Os recentes fechamentos cortaram o abastecimento de insumos combustíveis à única usina de energia elétrica da Faixa de Gaza, que deverá fechar em questão de 48 horas caso as travessias não sejam reabertas.

Os palestinos de Gaza já enfrentam sucessivos blecautes, com acesso a apenas dez horas de eletricidade por dia. Sem sua usina, o território costeiro pode recorrer somente a uma única fonte externa – equivalente a 120 megawatts por dia, proveniente de Israel.

“A vida diária de dois milhões de pessoas e serviços vitais serão duramente afetados”, alertou Mohammad Thabit, representante da empresa de distribuição de energia de Gaza.

Até mesmo residentes do lado israelense reclamaram das restrições de movimento.

Mediadores egípcios tentam atenuar tensões entre as partes. “Estamos em contato com oficiais do Egito; no entanto, até então, não há resultado satisfatório. Desta maneira, prevalece o alerta máximo”, declarou Daoud Shehab, porta-voz do movimento de Jihad Islâmica.

Abdel-Latif al-Qanoua, porta-voz do Hamas, condenou as restrições israelenses e observou que seu movimento também mantém conversas com mediadores. “Não aceitaremos o fechamento contínuo das travessias e esta política de punição coletiva”, acrescentou.

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