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Autoridade Palestina facilita a exploração dos territórios ocupados

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Primeiro-Ministro de Israel Yair Lapid em Jerusalém ocupada, 10 de fevereiro de 2022 [Ministério de Relações Exteriores de Israel/Agência Anadolu]

Em março, Hussein al-Sheikh – oficial de alto escalão da Autoridade Palestina (AP) – reuniu-se com o agora premiê israelense Yair Lapid, com intuito de reafirmar a “necessidade de um horizonte político” com base, evidentemente, na concessão de dois estados. Lapid não foi nada receptivo na ocasião ao afirmar que, após sua posse, manteria os acordos firmados sob o governo encabeçado pelo ativista colonial Naftali Bennett.

Agora como primeiro-ministro, o desdém de Lapid pela Palestina e sua Autoridade ostentou-se quase de imediato. Após um encontro com o presidente francês Emmanuel Macron, na embaixada israelense em Paris, Lapid confirmou não haver qualquer encontro iminente com Ramallah na agenda de seu governo. “Não faço reuniões apenas por fazê-las, salvo tenham resultados construtivos para Israel. No momento, não está na agenda; contudo, não descarto”, insistiu o ex-chanceler sionista durante coletiva de imprensa.

Macron fez um apelo pelo “retorno ao diálogo político entre palestino e israelenses”, mas o jornal Times of Israel reportou que o premiê israelense evitou abordar absolutamente o engajamento diplomático. A questão palestina, segundo Lapid, foi minoritária na conversa.

Parece, não obstante, que Macron não quis pressionar o novo primeiro-ministro para que a Palestina seja parte fundamental do processo diplomático. Ao contrário, a retórica do presidente francês meramente busca representar Lapid como uma figura capaz de eventualmente dar o exemplo para preservar a fachada de dois estados. Entre a obstinação de Israel em ignorar o consenso diplomático e a insistência da comunidade internacional em promover o mesmo paradigma há décadas, a Autoridade Palestina escolhe a última.

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Dado que Israel assevera que a implementação de dois estados seja inalcançável, a administração em Ramallah serve somente para auxiliar a comunidade internacional a promover a expansão colonial de Israel. O governo de Lapid não será diferente, mesmo embora Ramallah tente retratá-lo há meses como uma alternativa razoável a seu antecessor, Naftali Bennett, notório por atitudes públicas de extrema-direita.

A conclusão é que Lapid, como Bennett, continuará a explorar a fraqueza e a dependência dos políticos palestinos em nome da sobrevivência de Israel. Não há nada que a Autoridade Palestina queira mais do que salvaguardar sua posição em Ramallah. Neste caso, o governo de Mahmoud Abbas permanece absolutamente alinhado à ocupação israelense e às potências globais, que não desejam qualquer representação democrática na Palestina, capaz de reformular o paradigma de dois estados como resposta pragmática ao apartheid cotidiano vivenciado pela população nativa.

Sem dúvida, a Autoridade Palestina se manterá no caminho de sua tradicional bajulação a forças externas, para “demonstrar” a seus doadores que não há contrariedade sobre a concessão de dois estados. Enquanto isso, os doadores mantêm a farsa de consentir com Abbas sobre a necessidade de negociações, embora não haja qualquer diálogo efetivo. No que se refere à comunidade internacional, não há urgência alguma, dado que Abbas continua satisfeito com o mesmo roteiro  – desde que abarque o inócuo jargão da “solução de dois estados”.

Lapid não enfrentará dificuldades em seu relacionamento com a Autoridade Palestina, à medida que Abbas e sua claque infringem sucessivas atrocidades políticas à população comum.

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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