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FBI alugou vivenda em Istambul para suspeitos do Estado Islâmico, revela reportagem

Selo do Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI), em Washington DC, 9 de março de 2007 [Chip Somodevilla/Getty Images]

O Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) alugou uma moradia em Istambul como abrigo secreto a suspeitos da organização terrorista Estado Islâmico (Daesh), revelou a rede de notícias Middle East Eye (MEE), sediada em Londres.

Conforme as investigações, Kamran Faridi — veterano agente infiltrado do FBI — assinou um contrato e realizou pagamentos para alugar uma luxuosa vivenda nos subúrbios de Silivri, na costa de Istambul, em 2015.

A propriedade então foi usada como abrigo a diversos suspeitos do Daesh, incluindo Aine Davis, acusado de integrar uma célula de militantes britânicos denominada “Beatles”.

Em novembro de 2015, forças de segurança da Turquia invadiram a propriedade e detiveram seis pessoas no local. Na ocasião, as autoridades enalteceram a operação por suspostamente frustrar um atentado de larga escala na metrópole turca.

Quase sete anos depois, não obstante, a reportagem investigativa do Middle East Eye trouxe à tona o envolvimento do FBI.

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Documentos judiciais confirmam que a promotoria turca não achou evidências de qualquer conspiração terrorista, mas sim conduziram sua operação após uma denúncia dos próprios agentes americanos.

Em nota datada de 2016, os promotores observam: “Provas suficientes não foram obtidas para registrar um processo público … exceto relatório de inteligência de um estado estrangeiro, que não possui caráter de evidência”.

Não se sabe se as autoridades turcas sabiam de Faridi — o agente do FBI — e de seu trabalho à paisana. Contudo, uma fonte afirmou ao Middle East Eye que o departamento abordou Ancara em fevereiro de 2016, para oferecer os serviços de Faridi à inteligência local.

Segundo a reportagem, a proposta foi negada devido à exposição prévia do agente externo.

Faridi, de 58 anos e raízes paquistanesas, trabalhou como informante ao FBI desde meados dos anos 1990, em diversos países, sob ordens da Força-Tarefa Conjunta de Contraterrorismo. Suas operações envolveram o período da “guerra ao terror”.

Segundo relatos, Faridi foi dispensado do serviço em 2020 e preso no ano seguinte, supostamente após enviar ameaças de morte a seus superiores.

As atividades do ex-agente, todavia, em Istambul e como “empréstimo” a aliados ocidentais, traz à tona o uso de “emboscadas” pelo FBI e outras agências de segurança.

Sob tais métodos, os departamentos de inteligência atraem e recrutam indivíduos suscetíveis a entidades terroristas ou criminosas para então prendê-los e indiciá-los pela filiação. Trata-se de uma prática controversa, jamais negada tampouco justificada por agências estrangeiras.

Como resultado da operação em Istambul, em novembro de 2015, Davis e dois outros supostos militantes foram condenados por integrar o Daesh — alegação que negam. Outros três homens foram apreendidos na vivenda foram liberados por falta de provas.

Segundo as informações, Davis será deportado da Turquia ao Reino Unido nos próximos dias.

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