Malta desautoriza voo da Argélia para repatriar ativistas saarauís

Segundo relatos, autoridades de Malta devolveram um voo da Air Algeria cujo objetivo era repatriar cidadãos saarauís e membros do movimento por independência Frente Polisário.

De acordo com o website Algerie Part, o avião vazio recebeu ordens para retornar à Argélia sem passageiros, após pousar na cidade de Valleta, capital do pequeno estado europeu, no sábado – 30 de abril.

“Era um voo especial organizado pelas autoridades argelinas para repatriar membros ativos da Frente Polisário”, constatou a reportagem. No entanto, autoridades maltesas não consentiram com a operação.

O avião tinha como destino a província argelina de Tindouf, na área de tríplice fronteira com Mauritânia e Marrocos, onde cerca de 173 mil cidadãos saarauís vivem em cinco campos de refugiados – em maioria, deslocados há 45 anos, após a deflagração de um conflito armado sobre o território do Saara Ocidental.

O Marrocos enfrenta a Frente Polisário pela região desde 1975, quando se encerrou a ocupação espanhola. O conflito durou até 1991, quando foi assinado um cessar-fogo. O acordo chegou ao fim no último ano, quando o Marrocos retomou ações militares na travessia de Guergarat, zona neutra entre a monarquia e a autoproclamada República Árabe Saarauí Democrática.

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A Frente Polisário descreveu os avanços marroquinos como provocação.

A questão incitou disputas e tensões históricas entre Marrocos e Argélia: a coroa acusa o estado vizinho de apoiar as ambições separatistas do movimento saarauí.

O Marrocos concordou em normalizar relações com Israel em 2020, como parte dos chamados Acordos de Abraão, em troca do reconhecimento dos Estados Unidos de sua soberania sobre o território disputado do Saara Ocidental.

Em 2021, a Argélia rompeu laços com a monarquia, ao citar “atitudes hostis”. Tensões também envolveram a Espanha, após o governo europeu mudar de postura e expressar apoio ao “plano de autonomia” promovido por Rabat.

Recentemente, Argel ameaçou cortar seu fornecimento de gás natural ao mercado espanhol, caso os insumos sejam redirecionados posteriormente ao Marrocos.

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