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Precisamos muitas mais mulheres neste fórum

Entrevista com a deputada brasileira Perpétua Almeida, participante da Conferência de Parlamentares por Jerusalém

A voz forte da mulher usando o tradicional vestido palestino, dizendo “Viva a Palestina Livre” e apelando a uma maior participação das mulheres nas próximas conferências, chamou a atenção dos participantes da Conferência de Parlamentares por Jerusalém (Al-Quds), realizada em Ancara, Turquia, em 30 de novembro de 2021.

A oradora na tribuna era a brasileira Perpétua Almeida, que integrou a delegação latino-americana no encontro e alertou para o fato de que a luta pela causa palestina precisa das mulheres. “Precisamos trazer à esse forum muitas mais mulheres, que são a outra metadeda humanidade. Nenhuma causa será vitoriosa sem elas.”

Perpétua Almeida nasceu no interior do Acre , filha caçula de uma família de 15 filhos, e passou boa parte de sua adolescência vivendo no convento das irmãs Dominicanas, da igreja católica. Só conheceu as comodidades urbanas, como luz elétrica, chuveiro e televisão aos 14 anos de idade.

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Aos 19 anos ela trocou a vida religiosa, no convento das irmãs dominicanas, pela política social, participando de vários movimentos, tipo a criação da Pastoral da Juventude, Sindicato dos Bancários e Sindicato da Educação. “Só depois é que fui me envolvendo com a política. Foi algo natural. Primeiro fui eleita vereadora e depois deputada Federal e estou no meu 4º mandato.”, recorda Perpétua Almeida nesta entrevista ao Monitor do Oriente Média.

A deputada Perpétua Almeida durante seu discurso na conferência

Você pode nos contar um pouco sobre a situação política no Brasil?

Infelizmente o Brasil volta ao mapa da pobreza e da miséria, com muita fome. Imagens de pessoas em filas para comprar ossada em casa de carne e pegar restos de comida em lixões, são parte do nosso cotidiano hoje no Brasil. E isso é muito triste. Mesmo assim, o atual governo corta 22 milhões de brasileiros do auxílio emergencial. Uma espécie de ajuda humanitária para quem não tem como sobreviver sem a ajuda do Estado brasileiro. Imagine que o governo acabou com o Bolsa Família, um programa que já ia fazer 20 anos e socorria os mais pobres.

Convivemos ainda com alto desemprego que atinge mais de 13 milhões de brasileiros. É um situação dramática. Pela primeira vez no Brasil, a maioria da população, economicamente ativa, está desempregada.

Como você vê o futuro político da América Latina?

Sou otimista. A Humanidade sempre lutou pela diminuição da opressão e da desigualdade. Desde a revolução francesa, passando pela revolução soviética, a revolução cubana, entre outra… sempre os povos do mundo estão a clamar por mais igualdade e justiça social. E aqui, na América Latina, também, não é diferente: Simóm Bolívar, Zumbi dos Palmares, Che Guevara…

Todas essas lideranças, e muitas outras, representam para mim a luta consciente e persistente por igualdade e justiça social.

A humanidade só será vitoriosa, só terá dado certo, se todos viverem com dignidade.

Qual a sua experiência com a comunidade árabe e palestina no Brasil?

Quando fui presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, realizei muitos eventos, conferências, rodas de debates em que participaram a maioria das embaixadas no Brasil que apoiam a causa Palestina. E isso foi me aproximando da causa e de todos que a defende, cada vez mais.

Qual é a sua posição sobre a causa da Palestina?

A causa palestina é uma causa de todos os povos, de todas as nações, porque a solidariedade é internacional. Mas ela ainda não tocou os corações da juventude e da outra metade do planeta, que são as mulheres. Quando isso acontecer e eles todos passarem a defender, aí sim, acredito, teremos paz.

Você participou pela primeira vez dos “parlamentares por Al-Quds”, qual é a sua impressão desta conferência?

Muito importante para a causa palestina, para todos que defendem uma pátria livre, que são solidários aos refugiados e lutam pela paz. Mas também me senti como se estivesse num evento que não era para mulheres, com a presença quase que, dominada por homens. Faltam mais mulheres. Não se ganha uma causa sem a participação efetiva das mulheres.

Voce escolheu o vestido tradicional palestino para usar na conferência, o que você acha desse gesto?

Por traz de cada vestido há sempre uma história de muitas mulheres que o fizeram, seja pra reafirmar sua tradição, seja para reafirmar sua cultura ou, por que não dizer, para pedir socorro ao mundo sobre a causa Palestina. Então é importante dar visibilidade a essas muitas histórias. É um sentimento de gratidão pelo trabalho dessas mulheres e de respeito à luta pela Palestina livre.

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Como foi encontrar tantos parlamentares de todo o mundo na conferência?

Foi um sentimento de alívio. Algo do tipo: não estou sozinha, que não estamos só na defesa da causa Palestina. Existem outras vozes que clamam pela paz no Oriente Médio.

E sobre a organização da conferência, seus resultados e recomendações?

Organização impecável. Precisamos reproduzir os apelos de muitas vozes na Conferência, fazer com que o mundo nos escute.

Quero que todos os palestinos se sintam abraçados por nós, os brasileiros que clamam pela paz no mundo. Que recebam toda a nossa solidariedade, amizade e acolhimento. Que sintam nosso desejo de superação do sofrimento que assola as terras de Jerusalém e seu povo. Reafirmamos: nossa luta é permanentemente, enquanto precisarmos lutar pela liberdade e e independência do povo palestino

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