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Inteligência de Israel foi crucial para decisão britânica de criminalizar o Hamas

Protesto pró-Palestina em Londres, Reino Unido, 15 de maio de 2018 [Yunus Dalgic/Agência Anadolu]

A agência de segurança interna de Israel, Shin Bet, trabalhou com seu homólogo britânico para pressionar o governo a designar o movimento palestino Hamas, em sua totalidade, como “organização terrorista”, revelou a imprensa israelense neste domingo (21).

Segundo o jornal Times of Israel, diversos oficiais do Shin Bet viajaram ao país europeu nas últimas semanas, com o propósito de criminalizar o Hamas.

Os agentes da ocupação concederam “evidências” contra diversos indivíduos que moram no Reino Unido, ao acusá-los de serem filiados ou financiarem o grupo de resistência.

A designação prejudicará as atividades do movimento palestino em solo britânico, onde supostamente capta boa parte de seus recursos.

Não obstante, a decisão deve ser aprovada pelo parlamento para entrar em vigor.

Segundo as informações, o veredito foi firmado após um encontro entre o primeiro-ministro israelense Naftali Bennett e seu colega britânico, Boris Johnson, durante a conferência ambiental das Nações Unidas (COP26), realizada em Glasgow neste mês.

De acordo com a televisão israelense, supostos membros do Hamas canalizam recursos angariados no Reino Unido a instituições da Faixa de Gaza. Agentes da ocupação insistem que a maior parte dos recursos é destinada à Universidade Islâmica de Gaza.

Israel bombardeou a instituição de ensino em diversas ocasiões, ao alegar que seus laboratórios são utilizados para desenvolver armas para o Hamas. A entidade acadêmica — composta por onze faculdades e 20 mil estudantes — nega as acusações.

LEIA: Criminalização do Hamas por Londres é ‘agressão’ aos árabes, alertam congressistas jordanianos

Críticos da designação britânica, como os jornalistas Yvonne Ridley e Motasem Dalloul, destacam que a medida é potencialmente contraprodutiva, devido à importância política do Hamas na Palestina — sobretudo, como governante de facto da Faixa de Gaza.

Zaher Birawi, presidente do Fórum Europalestino (Europal), sediado em Londres, comentou o caso: “O plano da Secretária do Interior Priti Patel … pretende limitar ainda mais o espaço público a expressões de solidariedade aos palestinos e sua causa contra a ocupação”.

 

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