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Os Emirados Árabes são agora o exportador ‘número um’ para o Irã

Bandeira dos Emirados tremulando acima da marina de Dubai com o hotel Burj Al Arab (centro) ao fundo, em 3 de junho de 2021 [Karim Sahib/AFP via Getty Images]

Em mais um sinal de um degelo nas relações entre o Irã e os Emirados Árabes, o estado do Golfo se tornou o exportador número um de mercadorias para a República Islâmica, de acordo com os últimos dados divulgados pela Autoridade Aduaneira Iraniana.

O porta-voz da autoridade, Ruhollah Latifi, divulgou dados no domingo mostrando que os produtos exportados dos Emirados Árabes para o Irã foram avaliados em US$ 7 bilhões nos últimos seis meses. Isso é quase três vezes mais do que o segundo país colocado, a Turquia, com comércio avaliado em US$ 2,4 bilhões. Em seguida, vem a Rússia com US$ 639 milhões, o Iraque com US$ 499 milhões e Omã com US$ 270 milhões. Paquistão, Cazaquistão, Azerbaijão, Turcomenistão, Armênia, Kuwait, Afeganistão, Catar, Bahrein e Arábia Saudita também foram mencionados por Latifi.

Os Emirados Árabes também são considerados importantes importadores de mercadorias do Irã. Apesar de anos de aparente hostilidade, o estado do Golfo se tornou um mercado-chave para Teerã. O Iraque lidera a lista de importadores do Irã, com produtos avaliados em quase US$ 4 bilhões. A Turquia está novamente em segundo lugar, com US$ 2,3 bilhões, e os Emirados Árabes estão em terceiro lugar, com US$ 2,2 bilhões.

Latifi destacou que o comércio entre o Irã e seus 15 vizinhos teve um valor de US$ 22,5 bilhões durante os primeiros seis meses do atual ano iraniano, que começou em 21 de março. As exportações do Irã para países regionais somaram 51,5 por cento de suas exportações totais.

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Em 20 de setembro, o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, expressou sua esperança no desenvolvimento das relações bilaterais entre seu país e os Emirados Árabes em vários campos, sobretudo na economia. Isso estava muito longe da hostilidade vista durante os quatro anos do governo Trump em Washington. O ex-presidente dos Estados Unidos liderou uma campanha para isolar o Irã, apoiada pelos Emirados Árabes, Israel e Arábia Saudita.

Sob uma política de aplicar “pressão máxima” sobre Teerã, Trump se afastou unilateralmente do acordo nuclear com o Irã acordado por seu antecessor, Barack Obama, e impôs novas sanções. Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita aumentaram a pressão sobre o Catar ao impor um bloqueio em 2017, justificado em parte porque Doha tinha relações cordiais com a República Islâmica.

Embora tenha havido hostilidade reduzida entre Washington e Teerã devido em parte à eleição do presidente dos EUA, Joe Biden, os EUA e o Irã, no entanto, têm grandes pontos de desacordo, especialmente sobre como lidar com a ocupação aparentemente interminável de Israel na Palestina.

Os Emirados Árabes lideraram a normalização das relações árabes com Israel, derrubando décadas de consenso regional. O Irã continua sendo o oponente mais forte do estado de ocupação colonial e insiste que a normalização deve ser uma recompensa pelo fim da ocupação da Palestina.

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