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Apoio à criação de Israel foi um de seus ‘maiores erros’ em 200 anos, admite The Guardian

Palestinos protestam no centésimo aniversário da Declaração de Balfour, promulgada pelo mandato colonial britânico em favor de um futuro estado judaico na Palestina, no centro de Ramallah, Cisjordânia ocupada, 2 de março de 2017 [Abbas Momani/AFP via Getty Images]
Palestinos protestam no centésimo aniversário da Declaração de Balfour, promulgada pelo mandato colonial britânico em favor de um futuro estado judaico na Palestina, no centro de Ramallah, Cisjordânia ocupada, 2 de março de 2017 [Abbas Momani/AFP via Getty Images]

Em admissão notável de um erro histórico, o The Guardian descreveu seu apoio à Declaração de Balfour — isto é, a promessa do mandato colonial britânico a uma “pátria” para o povo judaico na Palestina ocupada — como “um dos seus piores erros em duzentos anos”.

O tradicional jornal sediado em Londres fez seu anúncio surpreendente na sexta-feira (7).

“O que quer que seja dito, Israel hoje não é o país que o The Guardian visualizou e queria”, declarou seu editorial.

“Quando Arthur Balfour, então Secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, prometeu ajudar a estabelecer um lar nacional ao povo judeu na Palestina, há 104 anos, suas palavras mudaram o mundo”, prosseguiu, em referência à controversa declaração emitida pelo mandato colonial quando a comunidade judaica não excedia 5% da população na Palestina.

Ao observar que seus erros mais notáveis foram publicados nas páginas de seus editoriais, o The Guardian aparentemente assumiu responsabilidade pelo fracasso em instituir uma “pátria judaica” na Palestina, ao apoiar consequentemente uma nova ocupação colonial.

“Em 1917, o The Guardian concedeu apoio, celebrou e — pode-se dizer — mesmo ajudou a facilitar a aceitação de Balfour”, observou o artigo.

Na ocasião, o editor-chefe era C.P. Scott escreveu um texto no qual expressou um racismo característico de autores e políticos ocidentais da época, em apoio ao projeto sionista e franco detrimento aos direitos do povo palestino, observou o presente editorial.

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No dia em que a Declaração Balfour foi anunciada, Scott descartou qualquer outra reivindicação à Terra Santa com a máxima racista de que “a existente população árabe da Palestina é pequena e muito pouco civilizada”.

Naquele momento, porém, cristãos e muçulmanos palestinos constituíam mais de 95% da população.

A admissão do The Guardian ocorre em meio a denúncias de que Israel representa de fato um estado sistematicamente racista, que preserva práticas flagrantes de apartheid.

Em abril, a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) juntou-se a outros grupos locais e internacionais para denunciar que Israel comete cotidianamente crimes de apartheid e perseguição racista nos territórios palestinos ocupados.

Antes do recente relatório do HRW, a ong de direitos humanos israelense B’Tselem também descreveu Israel como estado de apartheid, que “promove e perpetua a supremacia judaica entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão”, ao corroborar um relatório da ONU de 2017.

A B’Tselem descartou ainda o popular equívoco de que Israel representa um estado democrático dentro da chamada Linha Verde, isto é, das fronteiras demarcadas em 1949.

Colonos radicais israelenses mantêm ataques contra palestinos em Jerusalém ocupada [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

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