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Relembrando o massacre de Realengo

Escola Tasso da Silveira, em Realengo, após tiroteio que provocou a morte de diversos alunos, no Rio de Janeiro [Shana Reis/Governo do Estado do Rio de Janeiro]
Escola Tasso da Silveira, em Realengo, após tiroteio que provocou a morte de diversos alunos, no Rio de Janeiro [Shana Reis/Governo do Estado do Rio de Janeiro]

Há exatos dez anos, doze crianças foram mortas e outras doze ficaram feridas dentro da Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio de Janeiro. Os tiros duraram cerca de quinze minutos até a chegada da polícia, quando o atirador, Wellington Menezes de Oliveira, se matou no local.

O que: Massacre de Realengo

Onde: Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro

Quando: 7 de abril de 2011

O que aconteceu:

Em uma quinta-feira, no dia 7 de abril de 2011, a Escola Municipal Tasso da Silveira comemorava 40 anos e recebia ex-alunos para falarem sobre a vida depois da formatura. Aproveitando a ocasião, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou na escola onde estudou se apresentando como palestrante, às 8:15 da manhã, carregando uma mochila com dois revólveres.

Segundo relatos, o homem agia normalmente, pediu uma cópia de seu histórico escolar na secretaria e conversou brevemente com sua antiga professora de literatura que o reconheceu.

Wellington então subiu até o segundo andar do colégio e invadiu uma sala de 8ª série (o atual 9º ano), onde cerca de quarenta alunos assistiam à aula de Português. Os sobreviventes contaram que ele atirava à queima-roupa, mirando na cabeça das meninas e nos braços, pernas e troncos dos meninos. Dos doze mortos no ataque, dez eram garotas.

Enquanto recarregava as armas, o atirador invadiu a segunda sala e efetuou mais disparos.

Um menino de 13 anos, Allan Mendes da Silva, estava na primeira sala invadida e foi baleado no rosto, clavícula e na mão. Ele conseguiu escapar e avisou a polícia que estava há 200 metros da escola.

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O sargento da polícia militar, Márcio Alexandre Alves, chegou ao local e avisou para que largasse a arma. Wellington saia de uma sala e estava prestes a subir para outro andar, ele apontou a arma para o sargento, mas foi atingido por um tiro de fuzil na barriga. Após se ferir, ele cometeu suicídio, cerca de quinze minutos depois de iniciar o massacre.

Foi encontrado com ele uma carta que indicava que o crime havia sido premeditado. Nela ele falava de questões religiosas e pedia perdão a Deus. Segundo as investigações, ele foi vítima de bullying quando estudava e pesquisava sobre atentados terroristas e grupos religiosos desde que deixou a escola.

Um ano depois, a Polícia Federal descobriu que o atirador foi influenciado e orientado por Marcello Valle Silveira Mello e Emerson Eduardo Rodrigues Setim, parte da seita Homini Sanctus, conhecida pelo ódio a mulheres e minorias. O perfil psicológico desses homens é traçado pelo conceito de “incel”, movimento que surgiu a partir da extrema direita norte-americana, e tem como significado “celibatários involuntários”, homens com grande frustração que culpam as mulheres pela sua solidão e inseguranças.

O que aconteceu depois:

Em 2015, um monumento foi construído na escola em homenagem às vítimas. A praça conta com esculturas de bronze das onze crianças e adolescentes vítimas da tragédia e uma borboleta representando a 12º vítima, que não teve o rosto reproduzido a pedido da família.

Adriana Silveira, mãe da estudante Luiza Paula da Silveira Machado, que tinha 14 anos quando foi morta no massacre, fundou a Associação Anjos de Realengo que luta pela conscientização da violência em escolas.

A dor causada pelo atentado motivou ações de prevenção à violência nas escolas. A data se tornou o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, instituída pelo Senado Federal. Em 2015 a Lei do Bullying (Lei 13.185) instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática. A Lei de Diretrizes de Bases e Educação também foi alterada em 2018, para determinar que medidas de conscientização e prevenção a todos os tipos de violência sejam estabelecidas nas escolas.

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Nesta quarta-feira, às 17h, o Santuário Cristo Redentor vai realizar uma missa pelos dez anos da morte das vítimas do Massacre do Realengo para as mães das vítimas e alguns familiares. A celebração será presidida pelo Padre Omar com participação dos cantores Elba Ramalho e Mumuzinho e terá transmissão ao vivo pelo Youtube do Cristo Redentor. O monumento ficará iluminado na cor verde para representar esperança.

Este ano deve ser lançada a série documental sobre o crime, com direção de Bianca Lenti e produzida pela Giros Produtora. “Meninas de Realengo” terá quatro episódios e mostrará como a tragédia foi um feminicídio em massa, revelando os possíveis motivos do massacre.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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