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Egito acusa Etiópia de intransigência sobre a Represa do Renascimento

Grande Represa do Renascimento, na Etiópia, dezembro de 2019 [Eduardo Soteras/AFP/Getty Images]
Grande Represa do Renascimento, na Etiópia, dezembro de 2019 [Eduardo Soteras/AFP/Getty Images]

A última rodada de negociações sobre a Grande Represa do Renascimento, construída pela Etiópia na bacia hidrográfica do Nilo, não resultou em progresso algum, após o governo etíope recusar uma proposta de mediação por um quarteto internacional.

A informação foi concedida nesta terça-feira (6) por Ahmed Hafez, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Egito.

Conversas sobre a barragem foram realizadas ao longo de dois dias e encerraram-se ontem, após Addis Ababa contrapor-se a todas as propostas e alternativas apresentadas pelo Cairo, com apoio sudanês, a fim de avançar no processo de diálogo.

Hafez afirmou que a Etiópia também rejeitou uma proposta de retomar negociações sob liderança do presidente congolês, que coordena a atual assembleia da União Africana.

Segundo o representante egípcio, tal postura volta a demonstrar esforços de procrastinação e falta de vontade política do governo etíope em negociar de boa fé as disputas regionais.

A Etiópia avança nas obras de sua represa, estimada em US$5 bilhões, perto da fronteira com o Sudão, ao argumentar tratar-se de um projeto de desenvolvimento bastante necessário à infraestrutura de energia elétrica e recuperação econômica do país.

LEIA: A Etiópia deve levar em consideração os direitos à água do Nilo dos países a jusante

O Egito mantém dependência quase absoluta das águas do Nilo e crê que a barragem poderá restringir seu acesso aos recursos hídricos – estimados em torno de 55.5 milhões de metros cúbicos anuais para uso agrário, geração de eletricidade e consumo da população.

O Cairo quer garantias de Addis Ababa de que receberá ao menos 40 bilhões de metros cúbicos do Nilo, após o preenchimento da represa.

Não obstante, o Ministro de Irrigação da Etiópia Seleshi Bekele alegou recentemente que o regime egípcio abandonou tal demanda, apesar do Cairo insistir que jamais emitiu qualquer comunicado neste sentido.

Há também uma questão em aberto sobre quão rapidamente será preenchida a barragem. Desta forma, o Egito teme grave impacto na geração de eletricidade de sua Represa de Assuã.

Disputa sem fim entre Etiópia, por um lado, Sudão e Egito, por outro, sobre a Represa do Renascimento [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

Disputa sem fim entre Etiópia, por um lado, Sudão e Egito, por outro, sobre a Represa do Renascimento [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

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