Companhia militar do Sudão aceita divulgar suas operações civis

Primeiro-Ministro do Sudão Abdallah Hamdok anuncia reformulação de seu gabinete de governo, durante coletiva de imprensa na capital sudanesa Cartum, em 8 de fevereiro de 2021 [Mahmoud Hjaj/Agência Anadolu]

Uma das maiores firmas militares do Sudão concordou em entregar gradualmente suas operações civis ao Ministério das Finanças, com o objetivo de converter-se em empresa com participação público-privada, reportou ontem (17) o Ministro de Informações Hamza Balol.

Caso concluído este processo, a subsidiária de negócios civis do Sistema Industrial de Defesa poderá ajudar a reduzir tensões entre elementos civis e militares da autoridade transicional sudanesa, que compartilham o poder até o fim de 2023.

Muitos políticos civis consideram as atividades pouco transparentes do exército como inadequadas e contestam o fato de que seus lucros não colaboram com o orçamento nacional.

“Trata-se de uma nova parceria entre os componentes civis e militares que produziram a grande revolução de dezembro”, declarou Balol em coletiva de imprensa no complexo industrial da empresa, nos subúrbios de Cartum, ao referir-se à deposição do ex-ditador Omar al-Bashir.

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A companhia recebeu o Primeiro-Ministro Abdallah Hamdok e ministros de estado nesta quarta-feira, em raro convite estendido a civis para que visitem suas instalações.

O exército sudanês tomou o poder de Bashir em abril de 2019, após meses de protestos populares que começaram no mês de dezembro anterior. Em agosto seguinte, as forças armadas concordaram em compartilhar o governo com representantes civis.

Desde então, porém, a economia se enfraqueceu, devido à baixa receita pública.

O exército sudanês enfrenta pressão doméstica e internacional por transparência e maior colaboração com a economia nacional.

A empresa, como muitos outros empreendimentos de larga escala pertencentes aos militares, ainda não divulgou suas contas ou abriu suas ações ao público.

“O povo sudanês poderá agora beneficiar-se desta companhia”, alegou o Ministro das Finanças Jibril Ibrahim, ao citar operações no campo petrolífero, ferroviário e agroindustrial. “É importante à empresa explicar ao povo o que faz, o que tem, o que espera alcançar”.

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