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Rede internacional dribla sanções para vender petróleo venezuelano

Navio-petroleiro iraniano Fortune é ancorado na refinaria de El Palito, na Venezuela, 25 de maio de 2020 [AFP/Getty Images]
Navio-petroleiro iraniano Fortune é ancorado na refinaria de El Palito, na Venezuela, 25 de maio de 2020 [AFP/Getty Images]

O jornal El País publicou na segunda-feira (18) uma reportagem conjunta com o site venezuelano Armando.info revelando a rede de intercâmbio de petróleo venezuelano que contorna as sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos.

De acordo com as informações, a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) exporta petróleo para vários países como Turquia, Malásia, Singapura e os Territórios Palestinos Ocupados usando como intermediárias empresas registradas no México, Rússia e Emirados Árabes Unidos.

Há sete meses, o empresário colombiano Alex Saab foi preso em Cabo Verde acusado pelos Estados Unidos de corrupção com a Venezuela, era considerado pelo governo americano como o “testa-de-ferro” de Nicolás Maduro. Saad estaria em viagem entre o Irã e a Venezuela; e segundo Caracas, viajava como “enviado especial” para facilitar a obtenção de medicamentos, alimentos e outros bens. Segundo as acusações, Saab e seu sócio, Álvaro Gentil, lideravam um esquema em que adquiriam cestas de alimentação – subsidiadas pelo governo venezuelano – com fornecedores mexicanos e produtos de baixa qualidade nutricional, que depois enviavam à Venezuela. Meses depois, passaram a repetir o esquema, mas com a revenda de petróleo bruto. Após investigações do governo mexicano sobre o comércio de petróleo feito por Saad entre o México e a Venezuela, fontes da Administração de Nicolás Maduro se defenderam das acusações de que se tratava de um negócio clandestino e declararam que a falta de clareza nos contratos é uma consequencia das sanções impostas pelos Estados Unidos.

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As sanções americanas contra o Petróleo da Venezuela entraram em vigor em abril de 2019. Para que o petróleo possa ser comercializado na Ásia sem as restrições do embargo norte-americano, empresas emiradenses, russas e mexicanas obtêm o petróleo venezuelano à crédito ou com descontos – entre 10 e 15% – e os transportam com documentação que omite a origem do produto, citando como donos as empresas revendedoras. A reportagem denuncia que esta rede é consequência do vácuo deixado pelos principais sócios estrangeiros da Venezuela depois do embargo norte-americano. De acordo com declarações do professor da Universidade de New Brunswick, Antulio Rosales, as sanções americanas foram um fracasso porque geraram maior desigualdade, pobreza e fortaleceram uma nova elite econômica que tem feito negócios à margem do embargo.

As investigações apontam que a Swissoil Trading, companhia suíça encabeçada pelo italiano Alessandro Barzzoni, de transportar o produto para portos asiáticos e de controlar diversas empresas registradas na Rússia, desconhecidas no mercado petrolífero internacional, que compravam e revendiam o petróleo venezuelano.

No mesmo esquema, também são citadas empresas registradas nos Emirados Árabes Unidos, segundo publicado pela Reuters há algumas semanas. Elas eram responsáveis por exportar petróleo para a Palestina, em uma operação triangular que procurava omitir a participação da estatal venezuelana pelas sanções à PDVSA.

Em 2020, o lucro gerado pela exportação de petróleo da Venezuela foi o menor em várias décadas, mas tem demonstrado um crescimento. Em novembro, o país exportou quase o dobro de petróleo bruto e derivados com relação a outubro. Durante todo o período já havia sanções contra a PDVSA e diversas companhias que tinham navios petroleiros com rota para portos venezuelanos.

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