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WikiLeaks revela opinião do príncipe herdeiro de Abu Dhabi sobre a família real saudita

Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita (à esquerda), é recebido por Mohammed Bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, em cerimônia oficial no Aeroporto de Abu Dhabi, na capital dos Emirados Árabes Unidos, em 22 de novembro de 2018 [Bandar Algaloud/Agência Anadolu]

Novas informações publicadas pelo WikiLeaks – website de caráter internacional sem fins lucrativos especializado em publicar documentos confidenciais – revelou as preocupações do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed Bin Zayed, sobre a situação da família real na Arábia Saudita.

O telegrama, também publicado pelo jornal americano The New York Times, apresentando em um extenso relatório, indica que Bin Zayed informou James Jeffrey, embaixador dos Estados Unidos, de seus receios sobre a corrente fundamentalista islâmica do wahhabismo na Arábia Saudita, além de seus anseios para eliminá-la.

O jornal americano reportou que o príncipe herdeiro de Abu Dhabi “considera a família real saudita durante o reinado do Rei Abdullah Bin Abdulaziz Al Saud absolutamente despreparada; entretanto, [Bin Zayed] teme que alternativa seria um estado autoritário e wahhabista similar ao Estado Islâmico [Daesh].” O relatório continua: “Qualquer substituto de Al Saud seria, portanto, um pesadelo.”

O telegrama divulgado pelo WikiLeaks revela que Bin Zayed logo voltou suas atenções ao príncipe herdeiro e atual governante de fato da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman: “Um homem impaciente para introduzir suas reformas a fim de reduzir a ligação da Arábia Saudita com o radicalismo islâmico, responsável por promover seu próprio ponto de vista à administração do atual Presidente dos Estados Unidos Donald Trump.”

No mesmo relatório – sob o título de Mohammed Bin Zayed’s Dark Vision of the Middle East’s Future (A Visão Sinistra de Mohammed Bin Zayed sobre o Futuro de Oriente Médio) –, o autor Robert F. Worth combinou entrevistas, perfis políticos e análises sobre as ações do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, governante de fato dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

O New York Times também relatou que Bin Zayed “dispôs boa parte de seus enormes recursos para medidas de contrarrevolução, para reprimir as manifestações políticas da Irmandade Muçulmana e para sua tentativa de construção de um estado de segurança hipermoderno, onde todos os cidadãos são monitorados em busca constante pelo mais ínfimo traço de inclinação islâmica.”

O jornal americano destacou que a deposição do Presidente do Egito Mohamed Morsi – via golpe de estado que impôs o governo do general Abdel Fattah el-Sisi – representou o primeiro dos grandes sucessos da campanha por influência de Bin Zayed. O New York Times ainda reiterou: “Parece que Bin Zayed ganhou bastante confiança naquilo que poderia se feito sem restrições americanas, e logo voltou suas atenções à Líbia, onde passou a fornecer apoio militar ao ex-general Khalifa Haftar, um tirano que compartilha dos sentimentos do príncipe emiradense sobre a militância islâmica.”

Worth, citando uma fonte diplomática americana, enfatizou que o bloqueio imposto ao Catar desde junho de 2017 tornou-se uma “questão de vingança pessoal” para Bin Zayed.

Vale observar que, em 2009, Bin Zayed tomou uma decisão que aumentaria em larga escala sua própria habilidade de projetar influência para além das fronteiras de seu país, quando então requisitou ajuda de Mike Hindmarsh – ex-comandante do Regimento Especial de Serviço Aéreo da Austrália – para reorganizar o exército emiradense. Eventualmente, Hindmarsh foi nomeado comandante do exército nacional dos Emirados Árabes Unidos.

Em seu relatório, Worth sugere que esta decisão – nomear um oficial não-árabe para um posto militar de tamanha importância – seria absolutamente inconcebível para qualquer outro país do Oriente Médio.

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