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Investigadora da ONU afirma que ‘jamais desistirá’ do inquérito sobre Khashoggi

Vigília a luz de velas em memória do jornalista Jamal Khashoggi, em frente ao consulado saudita em Istambul, Turquia, 25 de outubro de 2018 [Chris McGrath/Getty Images]

Agnes Callamard, investigadora das Nações Unidas sobre o caso de Jamal Khashoggi afirmou que “jamais desistirá” do inquérito em curso sobre o assassinato do jornalista saudita radicado nos Estados Unidos. Ela também criticou os representantes da comunidade internacional que participarão de um encontro de negócios na Arábia Saudita, na próxima semana. As informações são da Agência Anadolu.

Callamard, relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, declarou que sua investigação sobre os níveis mais altos do governo saudita ainda não acabou e que a justiça será enfim alcançada.

“Sigo algumas pistas, que não detalharei agora, portanto trata-se de uma investigação em curso,” relatou Callamard a jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque, nesta sexta-feira (25).

“Caso saibamos muito bem que um jornalista do The Washington Post, como o Sr. Khashoggi, possa ser assassinado sem quaisquer consequências, então enviaremos a mensagem errada. Por essa razão, jamais desistirei de manter-me uma pedra no sapato.”

Um esquadrão saudita executou e esquartejou Khashoggi dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, Turquia, no dia 2 de outubro de 2018. Seu corpo jamais foi recuperado.

Em relatório divulgado em maio deste ano, Callamard concluiu que tratou-se de uma “execução deliberada e premeditada” e exigiu que Mohammad Bin Salman, príncipe herdeiro saudita e governante de fato do país, seja investigado. Oficiais sauditas descreveram o caso como uma operação clandestina que, portanto, não envolveu o príncipe.

Em seus comentários de sexta-feira, Callamard afirmou que o Secretário-Geral da ONU Antonio Guterres – que pediu por justiça no caso de Khashoggi mas não agiu pessoalmente – deveria ter feito mais para identificar se Bin Salman efetivamente ordenou o assassinato.

“Sinto muitíssimo que o secretário-geral e outras instituições da ONU não assumiram essa oportunidade para promover nossa compreensão sobre a cadeia de comando e nosso compromisso para responsabilizá-la. É realmente uma pena,” declarou Callamard.

Callamard também pediu que participantes pensem duas vezes antes de atenderem ao convite da Iniciativa Investimento Futuro, fórum de negócios realizado no Hotel Ritz Carlton, na capital saudita Riad, entre 29 e 31 de outubro. Também pediu para que os países membros e convidados repensem sua participação em um conferência econômica do G20, também em Riad, em novembro de 2020.

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