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Parlamentares árabes em Israel boicotam primeira sessão do Knesset e juntam-se a greve contra negligência policial

Comunidade árabe-palestina em Israel realiza greve contra o aumento da violência contra árabes e a negligência da polícia israelense para lidar com os casos, em 3 de outubro de 2019
Comunidade árabe-palestina em Israel realiza greve contra o aumento da violência contra árabes e a negligência da polícia israelense para lidar com os casos, em 3 de outubro de 2019

A comunidade árabe-palestina em Israel decidiu realizar uma greve geral hoje (3) para protestar contra o aumento da violência nas localidades árabes e a recorrente negligência da Polícia de Israel para lidar com os casos. A Lista Conjunta – coalizão de partidos árabes em Israel – anunciou que participará da greve ao boicotar a sessão de abertura do Knesset – parlamento israelense.

Em mensagem compartilhada ontem em sua página do Twitter, Yousef Jabareen, membro do Knesset, declarou: “Amanhã a comunidade árabe em Israel realizará uma greve geral. Como parte do protesto, nós da Lista Conjunta não participaremos da sessão de abertura do Knesset.” A decisão da Lista Conjunta de boicotar a primeira sessão do Knesset pretende demonstrar solidariedade à comunidade árabe representada por seus parlamentares, de modo que “não podemos proceder com ‘negócios de costume’ enquanto o sangue continua a jorrar nas cidades árabes, pois a polícia [israelense] se recusa a levantar um dedo.”

Jabareen também declarou: “Hoje, durante a sessão de abertura do Knesset, representaremos fielmente nossos eleitores, ao participar das manifestações na Galileia. Protestaremos contra o aumento da violência e dos crimes em nossas comunidades e contra a resposta débil das agências de segurança israelenses. O estado é obrigado a proteger seus residentes, tanto árabes quanto judeus, embora 95% dos tiroteios ocorram em localidades árabes.”

Em resposta aos protestos e à greve realizada pela comunidade árabe, o Ministro de Segurança Pública, Gilad Erdan, afirmou ter concordado com um pedido da Lista Conjunta – constituída por quatro partidos de maioria árabe-palestina – para se reunirem no próximo domingo (6), a fim de debater a situação. Uma reunião emergencial do comando israelense com as forças policiais também será organizada por Erdan ainda hoje.

Em declaração, Erdan reconheceu: “A situação dos crimes e da violência na sociedade árabe é infelizmente intolerável e lidar com isso está no topo de nossas prioridades … Isso envolve uma situação de emergência e deve ser combatido por meio de uma guerra total contra o terrorismo.” O ministro israelense ainda reiterou: “Também peço à liderança árabe que assuma parte ativa nessa luta, para que cheguemos juntos a uma mudança histórica e levemos segurança aos cidadãos árabes de Israel.”

A sessão de abertura do Knesset, que não contará com a participação dos parlamentares da Lista Conjunta, consiste na cerimônia de juramento do novo congresso, após as eleições de 17 de setembro, data original da greve realizada hoje pela comunidade árabe. Durante a greve de hoje, as administrações públicas locais nas comunidades árabes não fornecerão qualquer serviço municipal e escolas nas áreas permanecerão fechadas.

A greve e a participação da Lista Conjunta ocorre devido a um aumento crítico nos casos de violência e tiroteios dentro das localidades árabes em Israel, nos últimos meses. Somente em setembro, treze cidadãos árabes foram mortos; quatro no mesmo dia. A Polícia de Israel alegou que a principal razão para os altos índices de homicídio decorre de uma suposta “cultura de vingança”, ao mencionar um tiroteio supostamente causado por dois homens de famílias rivais em disputa particular.

A polícia também acusou as lideranças da comunidade árabe-israelense de impedir a construção de delegacias nas regiões árabes e não conseguir confiscar armas como parte de uma iniciativa de 2017, quando somente três armamentos isolados foram entregues. Ações desta mesma iniciativa estão previstas para ocorrer no próximo mês, por intermédio da polícia, mas há receios de que o resultado seja o mesmo.

Líderes da comunidade árabe-israelense, entretanto, rejeitam as alegações de que essas são as principais razões, ao contrapô-las pela inação e negligência policial como razão para o aumento das taxas de homicídio, além do fato de que o estado israelense vê confrontos internos entre palestinos como algo irrelevante e até mesmo conveniente.

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