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Empresa israelense se intrometeu nas eleições na África, Ásia e América Latina

Facebook [foto do arquivo]

Uma campanha baseada em Israel para influenciar eleições de vários países africanos, asiáticos e latino-americanos foi descoberta pelo Facebook.

O gigante de mídia social anunciou hoje ter desativado dezenas de contas que estavam espalhando desinformação, e que se apresentavam como sendo de jornalistas e influenciadores locais. O Facebook rastreou essas contas e chegou no Archimedes Group, uma empresa privada sediada perto de Tel Aviv, responsável por arquitetar esse tipo de campanha.

O chefe da política de segurança cibernética do Facebook, Nathaniel Gleicher, disse aos repórteres que foram excluidas 65 contas, 161 páginas e dezenas de grupos ligados à campanha de desinformação, observando que essa atividade havia alcançado 2,8 milhões de seguidores e centenas de milhares de visualizações. Gleicher também disse aos repórteres que o grupo Archimedes foi banido do Facebook, conforme informou o Haaretz.

O jornal Times of Israel citou a declaração de Gleicher de que “esses são atores que essencialmente promovem o engano e que parecem estar contratados comercialmente para fazer isso”. Ele acrescentou que “esse tipo de negócio não tem lugar em nossas plataformas, por isso estão sendo removidos e nossas equipes continuarão investigando outros casos desse tipo de comportamento, [seja] com fins comerciais ou outros propósitos estratégicos. ”

Acredita-se que as operações de Archimedes tenham se concentrado na Nigéria, Senegal, Togo, Angola, Níger e Tunísia, bem como em um grupo de países asiáticos e latino-americanos. Acredita-se que a campanha tenha gasto mais de US $ 800.000 em anúncios no Facebook desde 2012.

Ainda pouco se sabe sobre o Archimedes Group. O Washington Post informou que o grupo se apresenta como “uma empresa de consultoria envolvida em campanhas para as eleições presidenciais”, usando o slogan “campanhas vencedoras em todo o mundo”. O site também apresenta uma descrição vaga do software de “gerenciamento de mídia social em massa” do grupo, que afirma permitir a operação de um número “ilimitado” de contas on-line.

O jornal acrescentou que a empresa é dirigida por Elinadav Heymann, citando a consultoria de negócios suiça Negotiations.CH. Heymann também é citado como tendo sido diretor executivo de Amigos Europeus de Israel desde 2012 e um conselheiro de vários partidos no Knesset israelense por 3 legislaturas.

Gleicher, do Facebook, disse não poder especular se os motivos de Archimedes seriam políticos e ainda não se sabe quem solicitou e pagou pelos serviços do grupo. No entanto, dado o enfoque da campanha em países predominantemente da África Central e Ocidental – uma região em que o Estado de Israel tentou recentemente aumentar a sua influência -, é provável que essas questões sejam apuradas daqui para frente.

Em janeiro, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou o Chade para restaurar as relações diplomáticas entre os dois países, cortadas em 1972. Em uma coletiva de imprensa antes de deixar o país, Netanyahu disse que a visita era “parte da revolução que estamos fazendo no mundo árabe e muçulmano ”, e uma iniciativa que “preocupa muito, até irrita muito ” os palestinos e o mundo árabe em geral.

Embora a normalização das relações com a África tenha benefícios materiais para Israel – muitas vezes incluindo acordos de armas lucrativos, memorandos para cooperação econômica e uso do espaço aéreo que encurtarão significativamente as rotas de vôo para companhias aéreas comerciais israelenses – a iniciativa também é tomada por seu valor de propaganda. Netanyahu sempre quis enfatizar esses sucessos diplomáticos, particularmente no período que antecedeu as eleições gerais de Israel, ocorridas no mês passado.

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