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Recapitulação das alternativas de Israel em Gaza

Soldados israelenses vistos no topo de tanques de guerra a caminho da cerca Gaza-Israel, em 28 de março de 2019 [Maan News]

Parece necessário recordar a todos das alternativas de Israel em Gaza a cada ciclo de confrontação a fim de prevenir que a verdade se misture com alucinações. Também é necessário que o norte palestino não permanece mal-orientado, quando alguns creem piamente estar no caminho correto e outros tenham o compromisso de reconsiderar suas ideias.

A primeira alternativa é uma guerra abrangente que terminaria com a reocupação de Gaza e o fim da hegemonia do Hamas. Essa é a opção preferida pela extrema-direita israelense. Parece possível, e não pode ser descartado, embora possua uma alto custo para os israelenses (assim como para os palestinos, é claro) e requer decisões políticas mais firmes quando a poeira baixar após as Eleições Gerais. Exterminar a autoridade do Hamas em Gaza irá requerer uma ofensiva de solo como complemento àquilo iniciado pelas forças aéreas. Será uma operação complicada que pode demorar indefinidamente, a depender do preparo das facções de resistência.

A segunda alternativa é reconhecer o Hamas como autoridade de fato na Faixa de Gaza e concordar com uma trégua de longo-prazo, sem sombra de dúvida, formada por condições bastante específicas. O mais importante neste caso seria as garantias financeiras em relação à compra de armamentos, pois os grupos de resistência não possuem capacidades avançadas de contrabando, produção ou desenvolvimento bélico. Os dois lados devem assegurar seu compromisso absoluto em relação aos termos da trégua. Além disso, Israel pode impor monitoramento intensivo sobre o quê e quem entra na Faixa de Gaza em troca de uma significativa atenuação das sanções, isolamento e bloqueio impostos à região por mais de uma década. Aqueles ao centro da política israelense iriam preferir essa opção.

A terceira alternativa é gerenciar a crise em Gaza ao manter o status quo: tranquilidade em troca de tranquilidade; controle de travessias e entrada e saída de bens e indivíduos; e o compromisso de silenciar os morteiros e mísseis, as pipas incendiárias, o que conhecemos como “unidades de confusão noturnas”, atividade naval e os protestos da Grande Marcha do Retorno. Nesta equação, a quantidade de bem e o número de indivíduos que entram e saem da Faixa de Gaza é correspondente ao nível de tensão nos lugares críticos e nas linhas de contato entre os dois lados.

Guerra abrangente é a alternativa menos provável aos olhos da maioria dos israelenses, não somente devido seu custo humano para Israel, mas também porque irá basicamente encerrar a divisão entre palestinos e, portanto, uní-los. Essa união não é algo desejado por Israel. O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu disse explicitamente inúmeras vezes que os opositores do estabelecimento de um estado palestino devem trabalhar para prolongar a divisão entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. O problema de Israel aqui também reside na questão do que fazer logo após a tomada do território. Por essas e outras razões, essa opção é a menos provável, embora não possa ser completamente descartada.

Aceitar o governo do Hamas em Gaza parece ideal para Israel, em particular conforme o governo de Netanyahu esteja engajado em negociações com mediadores árabes e internacionais a fim de alcançar esse objetivo. No entanto, atingir tal propósito de forma que não custe a Netanyahu sua maioria no Knesset e ao Hamas sua autoridade e credibilidade não é tarefa fácil. A diferença de posições entre os dois lados e suas demandas ainda é relativamente ampla e deve requerer maiores esforços para construir essa ponte. Isso é particularmente verdade no que concerne aos problemas relacionados à segurança de Israel e suas garantias, assim como à habilidade do Hamas de cumprí-las. Essa opção é difícil, porém não impossível e pode ser a escolha de ambos os lados.

Manter o status quo é uma alternativa razoavelmente estática, embora desenvolvimentos do conflito estejam ocorrendo de maneira dramática e interessante. A cada semana que passa, ambos os lados demonstram estar no limite de um confronto frontal absoluto e o cabo de guerra entre eles parece ser interminável. É como brincar com fogo ou negociar sob fuzilamento. Essa opção não é fácil para Israel, mas é ainda mais difícil para o Hamas, que enfrenta uma verdadeira crise devido à fome e ao cerco ao povo palestino de Gaza. Seria difícil de cumprí-la mesmo se os mediadores egípcios conseguirem eventualmente prover o mínimo do mínimo às necessidades da população da Faixa de Gaza e assegurar alguma financiamento adicional ao Hamas. Sobretudo, deve coincidir com as demandas de segurança de Israel, além das demandas necessárias aos assentamentos internos de Gaza, não somente as cidades do setor central do país, os quais estão agora sob o alcance de mísseis disponíveis ao Hamas.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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