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‘Apartheid, então transferência’, alerta colunista israelense sobre a Cisjordânia

25 de maio de 2026, às 10h38

Colonos israelenses, sob escolta militar, instalam casas pré-fabricadas em área invadida de Hebron (Al-Khalil), na região de Masafer Yatta, na Cisjordânia ocupada, em 20 de maio de 2026 [Wisam Hashlamoun/Agência Anadolu]

Israel está agindo para expulsar os palestinos da Cisjordânia ocupada, aldeia por aldeia, mediante violência colonial com apoio do Estado, a fim de desraigar comunidades e abrir terreno a um deslocamento em massa, advertiu Nahum Barnea, colunista israelense para o jornal em hebraico Yedioth Ahronoth.

A escalada conduzida pela chamada “juventude das colinas”, corroborou o colunista, não é arbitrária, mas parte de um projeto de Estado para remover palestinos de suas terras. De acordo com sua análise, tais grupos constituem “milícias que trabalham para o governo, com sua autorização e financiamento”.

O objetivo, acrescentou, é despovoar áreas palestinas, deslocar a população campesina às periferias urbanas, incitar um colapso socioeconômico e apresentar então a expulsão permanente dos nativos como solução final.

O artigo de Barnea — traduzido e compartilhado online — descreve uma política de “terra arrasada”, a ser aplicada continuamente nos territórios palestinos ocupados.

Para o comentarista, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu segue violando compromissos internacionais em múltiplos fronts, incluindo Cisjordânia, Gaza, Líbano, Síria e os Acordos de Oslo.

Barnea acusou a polícia de negligenciar intervenções ou investigações sobre os ataques. “O espírito de Ben-Gvir [ministro de Segurança Nacional] os assombra”.

“O governo não atua no automático, mas tem projeto”, reiterou. Barnea argumentou ainda que o plano precursor de dividir a Cisjordânia por blocos de assentamentos se substituiu por uma estratégia mais direta: despovoamento rural, instabilidade urbana, condições de colapso das comunidades e serviços e, por fim, transferência.

Seu alerta reverbera os de outras ongs israelenses, como Yesh Din e Médicos por Direitos Humanos, do último ano, que denunciaram o governo por financiar e promover a violência dos colonos. As organizações notam crime de guerra, incluindo transferência forçada.

Especialistas das Nações Unidas, há anos, apontam para tais esquemas. Suas denúncias se intensificaram no contexto do genocídio em Gaza, paralelo à escalada na Cisjordânia, desde outubro de 2023.

Em março deste ano, a ONU advertiu para “limpeza étnica” nos territórios ocupados, com 36 mil palestinos deslocados à força, sob operações militares e pogroms conduzidos por colonos ilegais israelenses.

Para analistas palestinos, a Cisjordânia arrisca cair no mesmo processo de Gaza: cerco, genocídio, destruição em massa, fome e deslocamento. Em Gaza, dois milhões tornaram-se desabrigados, compelidos a zonas de concentração e controle demográficos cada vez mais reduzidas, mediante planos, embora sem êxito, de “migração voluntária”.