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‘Partir é impossível’, diz família palestina em meio a escalada colonial de Israel

25 de maio de 2026, às 10h36

Abu Faza al-Kaabneh, residente palestino, vítima de ataques coloniais, cede entrevista à agência Anadolu, em el-Muarrajat, no Vale do Jordão, na Cisjordânia ocupada, em 21 de maio de 2026 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]

A casa de um residente palestino na comunidade beduína de Al-Mu’arajat, na Cisjordânia ocupada, tornou-se “alvo diário de sítio”, sob contínuo assédio de ocupantes israelenses ao redor de sua propriedade, no intuito de expulsar a família de suas terras.

Eid Abu Fazzah al-Kaabneh confirmou à agência de notícias Anadolu que colonos ilegais costumam se reunir por horas nas cercanias da residência, incluindo ao pastorear cabras e camelos nas áreas de colheita e nos pomares de oliveiras.

“Acordamos todos os dias com os ocupantes e seus rebanhos em torno de nossa casa”, declarou, ao descrever a pressão e intimidação em curso contra sua família e vizinhos, na comunidade a leste de Ramallah.

Sua comunidade beduína se situa próxima a uma estrada a leste da aldeia de Al-Taybeh e abriga dezenas de famílias radicadas em casas de concreto, latão e tendas.

Abu Fazzah notou que o assédio escalou para além do pôr do sol, ao abranger incursões à madrugada, com invasões a casas e roubo de carros e pertences palestinos. Residentes, incluindo crianças, veem-se forçadas a deixar as áreas mesmo antes do alvorecer.

“Eles aparecem às duas da manhã e nos obrigam a sair de nossas casas, deixam nossas crianças ao relento, e então nos roubam”, comentou.

Cercas, prosseguiu, são também danificadas, no intuito de expropriar terras e degradar o cultivo de subsistência das famílias nativas.

Os colonos, observou Abu Fazzah, descumprem uma ordem de restrição de um tribunal israelense que os impede de se aproximar a 50 metros das terras, ao invadirem os olivais por até três vezes em um único dia. “A decisão não vale”, destacou.

Residentes relataram ainda que colonos costumam atirar pedras contra os palestinos e soldados instalaram um entreposto militar a poucos metros das residências, na prática, como escolta aos ataques.

As atribulações impostas se intensificaram ainda por cortes d’água há mais de 15 dias, de acordo com uma compilação de testemunhos locais.

Apesar da pressão, Abu Fazzah reiterou que as famílias permanecerão em suas terras. “É impossível sairmos, mesmo se morrermos aqui”.

Awad Abu Fazzah, outro residente, constatou que as famílias palestinas tentaram instalar câmeras ao redor de suas propriedades, para monitorar os avanços dos colonos ilegais e alertar os vizinhos de eventuais investidas.

A Cisjordânia ocupada vive uma escalada colonial sem precedentes, sobretudo a regiões rurais e comunidades beduínas próximas a postos avançados ou assentamentos.

Segundo a Comissão de Resistência à Colonização, apenas em abril foram registrados ao menos 1.637 ataques coloniais, como seguimento a uma tendência ascendente desde a deflagração do genocídio em Gaza, em outubro de 2023.

Autoridades palestinas estimam ao menos 1.162 mortos e 12.245 feridos na Cisjordânia, sob violações de Israel, além de 23 mil pessoas detidas arbitrariamente.