O exército israelense recebeu 2.420 denúncias relacionadas a agressões e assédio sexual em suas fileiras durante 2025, marcando um aumento significativo em relação ao ano anterior, de acordo com dados apresentados ao Knesset na terça-feira.
O Canal 12 de Israel informou que os números foram apresentados durante uma reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Knesset, que discutiu a atuação das Forças Armadas em casos de assédio sexual.
Segundo os dados, a unidade Yahalom do exército recebeu 2.420 denúncias de agressões sexuais dentro das forças armadas durante o ano de 2025.
Mais de 700 denúncias terminaram apenas com o que foi descrito como “reuniões de comando”, enquanto 42 indiciamentos foram apresentados contra suspeitos e outros 21 foram submetidos apenas a medidas disciplinares, de acordo com os números.
O exército também proibiu a entrada de 60 contratados civis em bases militares, informou o Canal 12.
A emissora afirmou que as forças armadas israelenses “reconheceram um aumento no número de denúncias apresentadas” sobre má conduta sexual.
“Os dados que recebi são extremamente preocupantes, especialmente considerando o aumento significativo de denúncias relacionadas a assédio sexual”, disse a deputada Merav Ben-Ari, do partido de oposição Yesh Atid, que iniciou a discussão parlamentar.
“O exército israelense deve usar todos os meios disponíveis para reduzir esse fenômeno, preveni-lo ao máximo e apoiar as vítimas durante todo o seu serviço militar”, acrescentou.
Segundo os dados, o número de denúncias registradas em 2025 aumentou em cerca de 350 em comparação com 2024.
O relatório afirma que apenas 10% dos casos foram encaminhados para processos criminais conduzidos pelo Ministério do Interior e pela polícia.
Um total de 234 denúncias foram encaminhadas ao Ministério do Interior e à polícia, resultando em 42 indiciamentos contra suspeitos, enquanto 48 denunciantes posteriormente retiraram suas queixas, de acordo com o Canal 12.
O canal acrescentou que 59% dos casos foram resolvidos por meio de vias administrativas, incluindo “procedimentos disciplinares, advertências e demissões”.
Informou ainda que 5% dos casos foram encaminhados a um “órgão externo” não especificado.
Outros 22% dos incidentes foram classificados como “não resolvidos”, enquanto 4% não foram processados devido a “circunstâncias externas” não especificadas.
Em relação às investigações, o Canal 12 afirmou: “20% dos incidentes terminaram com medidas disciplinares, 42% foram resolvidos com advertências ou repreensões administrativas, 23% resultaram em demissão e 13% levaram a reformas processuais. Em 2% dos incidentes, as investigações concluíram que ‘não houve assédio sexual’”.
Apesar do aumento das denúncias em 2025, as Forças Armadas de Israel expressaram “orgulho” pelas medidas implementadas no último ano, apresentando ferramentas tecnológicas, melhorias nos sistemas de denúncia e reclamações e maior facilidade de acesso a esses mecanismos, segundo o canal.
De acordo com dados militares citados pelo site do Knesset, as denúncias de agressões sexuais dentro do Exército israelense têm aumentado constantemente ao longo dos anos, passando de 668 denúncias em 2014 para 2.092 em 2024.
A forma como Israel lida com as denúncias de assédio e agressão sexual dentro do Exército tem sido alvo de críticas no país, principalmente devido ao número relativamente baixo de indiciamentos em comparação com o número total de denúncias registradas.







