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UE considera sanções contra Israel por trigo ucraniano roubado

29 de abril de 2026, às 14h07

Trigo

Israel foi duramente criticado por não ser um “país normal” por importar trigo roubado do território ucraniano ocupado pela Rússia, levando a União Europeia a considerar sanções contra indivíduos e entidades israelenses ligados ao comércio.

A crítica veio do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, que disse: “Em qualquer país normal, comprar mercadorias roubadas é um ato que acarreta responsabilidade legal.” Ele acrescentou que um navio transportando grãos saqueados havia chegado a Israel e estava se preparando para descarregar, enfatizando que tal atividade “não pode ser um negócio legítimo” e alertando que as autoridades israelenses não poderiam plausivelmente desconhecer a entrada da carga em seus portos.

A UE afirmou que agora está considerando sanções contra agentes israelenses acusados ​​de ajudar a Rússia a contornar restrições internacionais. O porta-voz da UE para assuntos externos, Anouar El Anouni, disse que o bloco “condena todas as ações que ajudam a financiar o esforço de guerra ilegal da Rússia e a contornar as sanções da UE”, acrescentando que Bruxelas está preparada para atingir indivíduos e entidades em países terceiros, se necessário. A UE também solicitou esclarecimentos de Israel após relatos de que um navio da “frota paralela” russa, transportando grãos roubados, teve permissão para atracar na Baía de Haifa.

A medida surge após uma investigação do Haaretz, que expôs como o trigo ucraniano apreendido pelas forças russas é contrabandeado por meio de uma sofisticada rede marítima antes de chegar aos mercados internacionais, incluindo Israel. De acordo com a reportagem, os grãos retirados dos territórios ucranianos ocupados são transportados para o mar por meio de pequenas embarcações ou ferrovias, e então transferidos para navios maiores por meio de operações clandestinas de navio para navio. Essas transferências frequentemente ocorrem com os sistemas de rastreamento desativados para ocultar a origem da carga.

Imagens de satélite, dados de navegação e documentos internos russos analisados ​​pelo Haaretz indicam que este não é um incidente isolado, mas parte de uma operação contínua. Desde 2023, vários navios transportando grãos roubados chegaram a portos israelenses, com pelo menos quatro carregamentos registrados somente neste ano. Registros russos listam mais de 30 remessas de trigo ucraniano saqueado com destino a Israel.

A Ucrânia estima que pelo menos 15 milhões de toneladas de grãos foram apreendidas pela Rússia desde a invasão de 2022, e os lucros com sua venda ajudam a financiar o esforço de guerra de Moscou. Autoridades ucranianas afirmam ter alertado Israel com antecedência sobre embarcações específicas, incluindo o Abinsk, que, mesmo assim, teve permissão para descarregar sua carga.

Apesar da ameaça de sanções da UE, a medida gerou críticas devido ao que observadores descrevem como um duplo padrão. O bloco há muito tempo não impõe sanções a Israel pela importação de mercadorias produzidas em assentamentos ilegais em território palestino ocupado.

“A UE hoje: ‘Genocídio é aceitável, mas não aceitamos comprar grãos da Rússia’”, disse um comentarista, referindo-se ao genocídio de Israel em Gaza e à recusa da UE em impor sanções.