O Gabinete de Segurança de Israel aprovou “secretamente” o estabelecimento de 34 assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada durante uma sessão recente, informou a mídia israelense na quinta-feira, segundo a Anadolu.
O Canal 24 não especificou a data exata da decisão, mas afirmou que ela foi tomada durante a campanha militar conjunta EUA-Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.
“O Gabinete de Segurança aprovou secretamente a construção de 34 novos assentamentos na Cisjordânia, um número recorde aprovado em uma única sessão durante a campanha contra o Irã”, disse o canal.
Os locais aprovados incluem áreas dentro de bairros palestinos no norte da Cisjordânia e regiões remotas raramente alcançadas pelas forças israelenses, informou a emissora.
“Este é o maior número de assentamentos já aprovado em uma única sessão do gabinete”, acrescentou o canal.
De acordo com a reportagem, o número total de assentamentos ilegais aprovados pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu desde que assumiu o poder no final de 2022 subiu para 103.
Segundo o canal, o Chefe do Estado-Maior de Israel, Tenente-General Eyal Zamir, participou da reunião e não se opôs explicitamente à decisão. Ele, no entanto, expressou preocupação com a limitação de pessoal e solicitou uma avaliação da implementação da decisão em múltiplas áreas simultaneamente.
O gabinete também optou por manter a decisão em segredo para evitar pressão dos EUA durante a guerra em curso contra o Irã, já que o presidente Donald Trump se opôs publicamente à anexação da Cisjordânia por Israel, informou o canal.
Não houve comentários imediatos do governo israelense sobre a reportagem.
A Autoridade Palestina, por sua vez, denunciou a medida israelense como uma “escalada perigosa” e uma “violação flagrante” do direito internacional.
Em um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal Wafa, a autoridade afirmou que todas as formas de assentamento em território palestino ocupado são ilegais sob o direito internacional, citando a Resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU, que afirma que os assentamentos não têm validade legal e devem cessar.
A autoridade alertou que a medida reflete “planos israelenses de anexação, expansão e deslocamento” e responsabilizou o governo israelense pelas consequências.
Instaram a comunidade internacional, particularmente os Estados Unidos, a intervir imediatamente para impedir as “medidas unilaterais israelenses”.
A Autoridade Palestina, por sua vez, denunciou a medida como uma “escalada perigosa” e uma “violação flagrante” do direito internacional. A expansão ilegal dos assentamentos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, acelerou desde que o governo Netanyahu assumiu o poder no final de 2022.
A comunidade internacional e as Nações Unidas consideram a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, território palestino ocupado e consideram a atividade de assentamentos israelenses ali como “ilegal” sob o direito internacional.
Cerca de 750.000 ocupantes israelenses vivem em 141 assentamentos ilegais e 224 postos avançados na Cisjordânia, incluindo 250.000 em 15 assentamentos ilegais em Jerusalém Oriental.
Nos últimos anos, as forças israelenses e os ocupantes intensificaram as operações na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, envolvendo prisões, assassinatos, destruição de propriedades e deslocamento de palestinos, juntamente com a contínua expansão ilegal dos assentamentos.
Autoridades palestinas alertam que tais ações podem abrir caminho para que Israel anexe formalmente a Cisjordânia, acabando efetivamente com as perspectivas de um Estado palestino, conforme previsto nas resoluções da ONU.
Em um parecer histórico de julho de 2024, a Corte Internacional de Justiça declarou ilegal a ocupação israelense do território palestino e exigiu a evacuação de todos os assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.







