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Um é demais: Indonésia precisa agir agora em relação ao cidadão servindo no exército de Israel

17 de fevereiro de 2026, às 09h19

Milhares de pessoas se reúnem perto do Palácio Nacional para expressar solidariedade aos palestinos durante um protesto anti-Israel em Jacarta, Indonésia, em 12 de outubro de 2025. [Agoes Rudianto – Agência Anadolu]

 

Um relatório sobre um cidadão indonésio servindo no exército israelense exige uma resposta firme de Jacarta. Se o relatório estiver correto, o governo deve agir sem demora.

A campanha de Israel em Gaza devastou civis. Bairros inteiros estão em ruínas. As mortes de civis atingiram níveis alarmantes. Fome e deslocamento são generalizados. Israel agora enfrenta acusações de genocídio perante a Corte Internacional de Justiça. A Indonésia condenou repetidamente essas ações.

Se um cidadão indonésio está servindo nessas forças armadas, a contradição é evidente.

Os dados do exército israelense mostram estrangeiros em suas fileiras provenientes de diversos países de maioria muçulmana. Marrocos, 72. Turquia, 112. Uzbequistão, 264. Indonésia, um. Alguns dirão que uma pessoa não faz diferença. Faz, sim.

A Constituição da Indonésia compromete o país a se opor ao colonialismo. Governos sucessivos têm fundamentado o apoio à Palestina nesse princípio. Um indonésio servindo em um exército acusado de genocídio contradiz diretamente essa posição.

Trata-se de credibilidade.

Uma única foto de um indonésio fardado pode se espalhar pelo mundo em minutos. Críticos questionarão a coerência da Indonésia. Parceiros perguntarão se Jacarta aplica os princípios que promove.

O governo deve agir em três frentes.

Primeiro, verificar os fatos. Confirmar a cidadania do indivíduo. Determinar se há dupla nacionalidade envolvida. A lei indonésia proíbe o serviço militar voluntário em um país estrangeiro sem a aprovação do Estado. Isso permite a perda da cidadania nesses casos. Se o relatório estiver correto e a pessoa continuar sendo cidadã indonésia que se alistou voluntariamente, aplique a lei.

Em segundo lugar, fale publicamente. Declare claramente que servir em um exército estrangeiro acusado de genocídio perante a Corte Internacional de Justiça contradiz os princípios constitucionais e a política externa da Indonésia. Deixe claras as consequências legais.

Em terceiro lugar, fortaleça a supervisão. Monitore as redes de recrutamento online e offline. Coordene as unidades de imigração, cibernéticas e de aplicação da lei. Aja rapidamente para evitar casos semelhantes.

Pequenos números estabelecem precedentes. Outros países agora têm dezenas ou centenas de cidadãos no exército israelense. Isso não aconteceu da noite para o dia. Cresceu ao longo do tempo.

A cidadania acarreta obrigações. Os Estados regulamentam condutas que afetam a segurança nacional e as relações exteriores. Servir em um exército estrangeiro envolvido em hostilidades ativas, especialmente um que enfrenta acusações de genocídio, não é uma questão privada.

A Indonésia se apresenta como uma defensora consistente dos direitos palestinos. Recusou-se a normalizar as relações com Israel. Apoiou os esforços de responsabilização. Essa postura só tem peso se a aplicação da lei interna corresponder às declarações públicas.

Se o relatório estiver correto, um único caso já é suficiente para exigir ação. Se a Indonésia deseja manter sua credibilidade em relação à Palestina, deve garantir que seus cidadãos não participem daquilo que ela condena publicamente.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.