O Jerusalem Post, um dos maiores jornais de Israel, deu espaço para o ativista britânico de extrema-direita Tommy Robinson, apesar de seu longo histórico de retórica anti-muçulmana e condenação anterior por importantes organizações judaicas britânicas.
Robinson, que certa vez foi descrito pelo Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos como um “criminoso” que representa “o pior da Grã-Bretanha”, usou a plataforma para argumentar que Jeffrey Epstein não tinha alinhamento ideológico com o sionismo ou o Estado de Israel.
Em seu artigo, Robinson escreveu: “Epstein não vivia nem se comportava como alguém ideologicamente comprometido com o Estado judeu. Na verdade, grande parte de seu fascínio apontava para outro lugar.”
Em vez disso, Robinson sugeriu que Epstein tinha ligações mais fortes com a Arábia Saudita — um país que ele criticou recentemente — e afirmou que os interesses de Epstein estavam voltados para o Islã, e não para o sionismo.
Epstein “expressou admiração pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, demonstrou interesse pelo Islã e, segundo relatos, possuía um tecido da própria Caaba”, disse Robinson.
Opinion: Epstein was not driven by any coherent ideology other than self-interest – and attempts to turn his crimes into a vehicle for antisemitism only obscure the truth.
✍️ @TRobinsonNewEra https://t.co/xHTBAd89Tt— The Jerusalem Post (@Jerusalem_Post) February 11, 2026
A tentativa de Robinson de distanciar Epstein do sionismo omite conexões documentadas entre Epstein e figuras proeminentes israelenses, bem como revelações contínuas sobre os laços do traficante sexual condenado com Israel.
O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak admitiu ter se encontrado com Epstein diversas vezes após a condenação de Epstein em 2008, incluindo visitas à sua residência em Manhattan.
Reportagens recentes também levantaram novas questões. Conforme relatado pelo Middle East Monitor, documentos recém-divulgados indicam que Epstein doou fundos para o exército israelense e contribuiu financeiramente para projetos de assentamentos.
Além disso, diversos artigos argumentam que veículos de mídia ocidentais minimizaram ou evitaram uma análise aprofundada das conexões de Epstein com Israel, apesar de sua relevância para a compreensão de sua ampla rede de influência.
Da mesma forma, uma reportagem investigativa do Zeteo questionou por que os principais veículos de comunicação têm se mostrado relutantes em explorar os laços de Epstein com os círculos políticos e financeiros israelenses, argumentando que a questão tem recebido uma cobertura desigual em comparação com suas conexões nos EUA.
O artigo de Robinson foi recebido com ampla condenação e ridicularização. Alguns leitores questionaram se ele havia sido de fato escrito pelo ativista de extrema-direita, citando o que descreveram como inconsistências de tom e linguagem.
Os críticos ridicularizaram a tentativa de Robinson de minimizar as conexões de Epstein com Israel, destacando, em vez disso, seu próprio apoio bem documentado ao Estado de apartheid.
“Tommy Robinson escrevendo para o Jerusalem Post sobre como Jeffrey Epstein não era um agente do Mossad. As piadas se fazem sozinhas”, disse um usuário das redes sociais.
Outro, referindo-se ao nome legal de Robinson, disse: “Tenho certeza de que Tommy Robinson sabe que Jeffrey Epstein trabalhou para os Rothschild e, por sua vez, trabalhou para o Mossad. Lord Rothschild criou Israel. Este é o ponto mais baixo em que Stephen já caiu.”







