A Organização Árabe para Direitos Humanos no Reino Unido (AOHR-UK) condenou nesta segunda-feira (26) a nomeação de Nouri al-Maliki ao cargo de primeiro-ministro do Iraque, ao reafirmar que sua eleição traz de volta memórias de “tempos sombrios”, marcados por sectarismo e violações, bem como corrupção e colapso institucional.
Em nota à imprensa, a ong britânica destacou que, durante seus oito anos como premiê, entre 2006 e 2014, bem como passagem por pastas de Defesa e Interior, al-Maliki incitou divisão e ódio entre a população, ao cometer crimes contra a comunidade sunita e outros componentes do tecido social iraquiano.
Entre os crimes, apontou o comunicado, chacinas contra manifestantes, deslocamento à força para fins de engenharia demográfica, prisões em massa, tortura, criação de centros carcerários secretos, desaparecimentos e mesmo execução de centenas de acadêmicos, políticos e oficiais militares, por meio de julgamentos espúrios.
A ong reiterou que os registros desses casos, bem como processos de corrupção, seguem disponíveis nos históricos parlamentares e das instituições internacionais.
A AOHR-UK lamentou que, apesar da gravidade dos crimes de al-Maliki e membros de seu governo, não houve responsabilização legal. Alguns fugiram do Iraque, outros seguiram no país, como o próprio al-Maliki, sob proteção do Irã e outros agentes internacionais.
Hoje, rechaçou a denúncia, em vez de ser levado à justiça, al-Maliki é recompensado com o retorno ao cargo de premiê.
A ong insistiu que as atividades criminosas de al-Maliki não se restringiram ao Iraque, mas seguiram à Síria quando seu governo aderiu à aliança russo-iraniana em favor da ditadura de Bashar al-Assad, incluindo ao facilitar passagem de milícias e providenciar recursos e armamentos para reprimir a insurreição no vizinho ao norte.
A AOHR-UK enfatizou a urgência de que o povo iraquiano, em sua totalidade, rechace sua nomeação e reivindique justiça e reparações financeiras por seus crimes de lesa-pátria. A ong pediu ainda à comunidade internacional que pressione partidos a retirarem seu voto ao novo premiê, em busca de uma alternativa adequada.
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