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B’Tselem reporta política de tortura, fome e morte nas cadeias de Israel

23 de janeiro de 2026, às 17h41

Palestinos realizam protesto em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, em 30 de novembro de 2025 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]

A organização de direitos humanos israelense B’Tselem divulgou um novo relatório nesta terça-feira (20) no qual documenta abusos sistemáticos contra palestinos mantidos nos centros de detenção israelenses, incluindo tortura, fome, negligência médica, violência sexual e mesmo mortes em custódia.

Segundo o dossiê, instalações carcerárias de Israel operam como uma rede coordenada de “campos de tortura”, onda detidos sofrem agressão física e psicológica em condições degradantes.

Testemunhos compilados recordam casos de espancamento, humilhação, superlotação de celas, fome deliberada, negligência médica e mesmo estupro. Diversos ex-prisioneiros relataram viver ou testemunhar abusos.

A B’Tselem diz ter identificado 84 casos de palestinos mortos em custódia desde outubro de 2023, quando eclodiu o genocídio em Gaza, incluindo um menor de idade.

Dentre os mortos, cinquenta foram abduzidos em Gaza, trinta e um da Cisjordânia e três eram palestinos radicados no território designado Israel — expropriado durante a Nakba, ou catástrofe, em 1948.

A B’Tselem reiterou que, até janeiro de 2025, autoridades israelenses mantinham em sua custódia ao menos 80 corpos palestinos, ao recusar devolvê-los às famílias.

O relatório alertou, porém, para subnotificação, ao listar apenas casos verificados.

Sobre as descobertas, Yuli Novak, diretora executivo da B’Tselem observou que os centros prisionais israelenses integram um “ataque planejado e generalizado” contra a sociedade palestina, à medida que o abuso é parte de uma política voltada a fragmentar a vida social e política das comunidades nativas.

Neste sentido, argumentou Novak, as práticas estão de acordo com o genocídio em curso em Gaza e a limpeza étnica na Cisjordânia e em Jerusalém ocupadas.

Novak criticou também a comunidade internacional por sua persistente inação, ao notar que a falta de responsabilização devida das autoridades israelenses avalizou práticas de tortura, repressão e violações de direitos humanos.