Cada habitante de Gaza está cercado por uma média de 30 toneladas de destroços, após dois anos de genocídio israelense, estimou Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral das Nações Unidas e diretor do UNOPS — Escritório da ONU para Projetos e Serviços.
Moreira da Silva ressaltou a escala da destruição no enclave, ao comentar estudos nesta quinta-feira (15).
Segundo o diplomata português, “Gaza contém hoje mais de 60 milhões de toneladas de escombros, equivalente à capacidade de quase três mil navios de contêineres. Estima-se que tomemos sete anos para limpar tudo isso”.
Em declaração à imprensa, após visitar Gaza e a região, Moreira da Silva corroborou que a “crise humanitária segue se aprofundando”.
“O povo de Gaza está exausto, traumatizado e sobrecarregado”, acrescentou. “E o inverno e as tempestades das últimas semanas dobraram sua dor”.
Para as crianças, “a vida cotidiana se define por perda e trauma”, observou, ao alertar que seguem fora da escola pelo terceiro ano seguido, sob risco de se tornarem uma “geração perdida”, marcada por traumas físicos e psicológicos.
Israel mantém ataques a Gaza desde outubro de 2023, sem interrupção apesar de cessar-fogo firmado em outubro passado, no segundo aniversário da crise. Somam-se ao menos 71 mil mortos e 171 mil feridos, além de dois milhões de desabrigados.
A grande maioria das vítimas são mulheres e crianças.
Revistas científicas notam, porém, grave subnotificação, devido ao colapso dos sistemas de saúde, sob ataques diretos do exército ocupante.
As ações de Israel são genocídio, assim investigado pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, sob denúncia sul-africana deferida em janeiro de 2024.







