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Cirurgião palestino vence perseguição sionista em decisão do Conselho de Medicina

13 de janeiro de 2026, às 08h31

Ghassan Abu Sittah, médico palestino e reitor da Universidade de Glasgow, em Londres, Reino Unido, em 12 de abril de 2024 [Rasid Necati Aslim/Anadolu via Getty Images]

O Dr. Ghassan Abu Sittah, conhecido cirurgião plástico e acadêmico palestino, venceu um caso levado ao equivalente britânico ao Conselho de Medicina por lobistas sionistas, no que ativistas têm descrito como golpe considerável aos esforços de difamação e perseguição judicial de Israel contra denúncias do genocídio em Gaza.

Na sexta-feira (9), o Serviço Tribunal de Profissionais de Medicina (MPTS, em inglês) anulou um caso de dois anos no Conselho Geral de Medicina (GMC) contra Abu Sittah, ao concluir falta de provas de que seus escritos ou postagens nas redes sociais seriam “antissemitas ou incitação ao terrorismo”.

“VENCEMOS”, escreveu Abu Sittah no Twitter (X). “O Conselho descartou a queixa do grupo Advogados por Israel, que me acusava de apoiar a violência, o terrorismo e o antissemitismo”.

A queixa se centrou em um artigo de Abu Sittah ao jornal libanês Al Akhbar, além de dois tuítes, que a organização sionista alegou “contrapor sua aptidão à medicina”.

O tribunal ressaltou que o “leitor comum” não poderia interpretar o material como apoio ao terrorismo. Neste sentido, concluiu que não houve intento do médico em instigar o ódio ou a violência, tampouco em incorrer em má-conduta.

Abu Sittah, cidadão anglo-palestino nascido no Kuwait, especializado em cirurgia reconstrutiva e reitor da Universidade de Glasgow, na Escócia, destacou que o processo integrava uma estratégia ampla de intimidação e censura contra vozes pró-Palestina.

“Esta queixa é parte de uma estratégia maior de assédio judicial que busca instrumentalizar processos regulatórios para silenciar, assustar e exaurir aqueles que falam contra a injustiça na Palestina”, disse o médico. “Não apoio e jamais apoiei a violência contra civis. E conheço as consequência”.

Abu Sittah passou 43 dias em Gaza durante a primeira onda de agressão israelense a Gaza ao longo do genocídio, em outubro de 2023, período no qual trabalhou nos hospitais Baptista Al-Ahli, Al-Shifa e Al-Awda. Desde então, recorda das baixas em massa que tratou, sobretudo crianças com traumas graves e gravíssimos, incluindo denúncias de uso de fósforo branco — arma química, proibida — por Israel.

Sua defesa recebeu apoio do Centro Internacional por Justiça aos Palestinos (ICJP).

O diretor da organização, Tayab Ali, comentou: “Por meses, o dr. Abu Sittah foi alvejado sem pudor por lobistas pró-Israel, através de uma campanha sólida de assédio judicial. As graves alegações que lhe foram impostas foram, porém, inteiramente rechaçadas”.

A decisão coincide com maior escrutínio das práticas do lobby colonial sionista. O Centro Europeu de Apoio Legal (ELSC) e o Instituto Palestino de Consultoria e Legislação Pública (PILC) registraram uma queixa formal na autoridade regulatória britânica contra Caroline Turner, diretora da sucursal nacional do grupo Advogados por Israel.

Segundo a denúncia, houve de sua parte quebra de conduta profissional e má-fé no uso de supervisão regulatória. A queixa pede investigação sobre o grupo sionista, ao advertir que este opera, na prática, como um escritório clandestino de advocacia.

Conforme ativistas, as práticas do lobby sionista constituem um padrão sem base legal, cujo objetivo é frustrar esforços de solidariedade cívica, incluindo ao demandar demissões, cancelamento de eventos e mesmo perseguição direta de acadêmicos, jornalistas e manifestantes.

A vitória de Abu Sittah integra uma onda de reveses israelenses para suprimir críticas no Reino Unido. Em dezembro, um tribunal rescindiu uma convocatória contra o comediante Reginald D Hunter. O juiz do caso apontou que a chamada Campanha Contra o Antissemitismo (CAA) agiu na tentativa de coagi-lo, ao promover um indiciamento privado contra o artista.

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