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Israel avança em projeto de assentamento perto de Jerusalém, com prazo de 45 dias

10 de janeiro de 2026, às 07h07

Ministro das Finanças de Israle, Bezalel Smotrich, ostenta planos de assentamentos ilegais, perto de Jerusalém, na Cisjordânia ocupada, em 14 de agosto de 2025 [Menahem Kahana/AFP via Getty Images]

Autoridades de Israel notificaram formalmente representantes de comunidades beduínas e da prefeitura de al-Eizariya, a leste de Jerusalém, da intenção de impor um novo projeto de assentamento após 45 dias de notificação, confirmou nesta quinta-feira (8) o governo palestino da cidade ocupada.

As informações são da agência de notícias Anadolu.

Em nota, o governo confirmou que o prazo concerne o projeto “Tecido Vital”, como passo decisivo em aplicar a anexação ilegal israelense à área E1.

O projeto busca criar continuidade geográfica entre o assentamento de Maale Adumim e Jerusalém ocupada, ao cortar em duas a Cisjordânia e absorver quase 3% de suas terras ao esquema colonial de “Grande Israel”.

Oficiais palestinos alertam que o plano deve institucionalizar um sistema de segregação de tráfego, ao privar os palestinos da Rodovia 1 e desviá-los a um túnel subterrâneo perto do checkpoint de Zaeem.

A rodovia principal, portanto, será de uso exclusivo de colonos.

Outra repercussão é o maior isolamento das comunidades beduínas de Jabal al-Baba e Wadi al-Jamal e da aldeia de al-Eizariya, incluindo ameaça de demolição e evacuação de 43 estruturas recentemente notificadas.

O projeto chega a US$98 milhões, financiado por impostos palestinos retidos por Tel Aviv, sob ordens do militante colonial e ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.

Para o governo em Jerusalém, o plano impõe “grave ameaça direta” à possibilidade de se estabelecer um Estado palestino contínuo. Neste sentido, o governo instou a comunidade internacional a ir além de notas de repúdio.

Israel aprovou o projeto ainda em 2012, incluindo uma zona industrial a noroeste da área, uma delegacia de polícia, um aterro sanitário, unidades residenciais a colonos, hotéis e mesmo um parque bíblico, além de outros espaços.

Partes do projeto já foram implementadas perto do muro do apartheid a leste de Anata, na direção da aldeia de Zaeem. Segmentos adicionais estão planejadas para tomar terras de Zaeem a al-Eizariya.

Ao longo dos anos, Israel emitiu diversas ordens para expansão de assentamentos em E1, com destaque a 3.500 unidades coloniais anunciadas em 2020, congeladas até então por pressão internacional.

Soldados e colonos mataram ao menos 1.103 palestinos em Jerusalém e Cisjordânia no contexto do genocídio em Gaza, além de 11 mil feridos e 21 mil presos arbitrariamente — muitos dos quais sem julgamento ou sequer acusação.

Em julho passado, em decisão histórica, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, reconheceu a ilegalidade da ocupação, ao instar evacuação imediata dos assentamentos — porém, sem ações até então.

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