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Aeroporto no Iêmen suspende voos, em meio a tensões saudita-emiradenses

4 de janeiro de 2026, às 13h44

Aeroporto Internacional de Aden, no sul do Iêmen [Osama Hadrami/Reprodução/X]

O Aeroporto Internacional de Aden, no sul do Iêmen, suspendeu voos nesta quinta-feira (1º), como mais recente sinal da crise que se aprofunda entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, potências petrolíferas do Golfo.

No aeroporto — principal terminal internacional a partes do Iêmen fora do controle do grupo Ansar Allah, ou houthi, radicado na capital —, passageiros lotaram saguões e corredores, à espera de atualizações sobre suas passagens.

Mais tarde, na quinta-feira, fontes iemenitas alegaram que voos entre Aden e todos os destinos, salvo Emirados, seriam retomados; contudo, sem confirmação imediata da rede de notícias Reuters.

O tráfego aéreo foi suspenso devido a uma disputa sobre voos aos Emirados, apesar de relatos conflitantes.

Awadh al-Subaihi, passageiro, relatou aguardar um voo ao Cairo para fins de saúde: “Estamos sofrendo e muitos doentes e idosos estão presos nessa situação”.

Os Emirados apoiam o grupo separatista conhecido como Conselho de Transição do Sul (CTS), que tomou, em dezembro, partes do sul iemenita do governo reconhecido internacionalmente, hoje no exílio.

Mediante acordo de coalizão, a fim de conter a hegemonia houthi — ligada a Teerã —, os separatistas detinham o Ministério dos Transportes. Em nota, a pasta acusou Riad de impor um bloqueio aéreo, incluindo checagens abusivas.

A Arábia Saudita, avalista do governo, buscou desmentir, ao passar responsabilidade ao governo oficial e caracterizar as ações como uma ameaça. O incidente, contudo, deflagrou a maior crise entre os vizinhos no Golfo em décadas.

Uma fonte saudita insistiu que o ministério foi quem reagiu ao restringir os voos, em vez de acatar às restrições regionais. Um oficial da pasta voltou a negar.

Oficialmente, no entanto, as partes não comentaram a disputa à imprensa.

A contenda é a mais recente na crise do Iêmen, nação mais pobre do Oriente Médio, posta entre rivalidades regionais há mais de uma década. O país sofre também com bombardeios esporádicos de Israel, no contexto do genocídio em Gaza.

Ainda na última semana, a Arábia Saudita também acusou os separatistas do Iêmen de tentarem avançar às fronteiras do reino, ao reiterar sua segurança nacional como uma “linha vermelha”.

Em resposta, os Emirados alegaram retirar suas forças remanescentes do Iêmen.

A escalada sucedeu um ataque aéreo saudita ao porto de Mukalla, no sul iemenita, sob alegação de que uma doca seria usada por forças estrangeiras.