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Produzindo a Palestina: A Produção Criativa da Palestina Através da Mídia Contemporânea

18 de janeiro de 2026, às 08h00

  • Autor do livro: Dina Matar, Helga Tawil-Souri
  • Publicado em: 31 de outubro de 2024
  • Editora: Tauris (Reino Unido)
  • Nº de páginas: 296 páginas
  • ISBN-13: 978-0755654253

O imaginário ocidental sobre a Palestina passou por muitas transformações. Hoje, a imagem da Palestina que nos é apresentada carrega não apenas o peso da história, mas também um alerta sobre o futuro. O que se desenrola ali não é apenas uma história de ocupação, mas um prenúncio do que pode estar por vir.

Considerar o genocídio de Israel em Gaza como um horror isolado seria um erro. Todo império aperfeiçoa sua crueldade no exterior antes de voltar-se para si. As ferramentas de dominação — vigilância, propaganda, desumanização — são testadas nos colonizados e, em seguida, refinadas para uso interno. O que começa na Palestina raramente termina lá. A violência política não apenas desumaniza suas vítimas; ela “desciviliza” os perpetradores dessa violência.

É nesse sentido que a Palestina se tornou um teste para a consciência mundial. À medida que o genocídio em Gaza se desenrola à vista de todos, sua representação assume uma importância global não menor do que a da África do Sul sob o apartheid. Quando foi vista como uma afronta à humanidade, a África do Sul do apartheid foi forçada a abandonar seu projeto político de supremacia racial. Como o último Estado colonial de povoamento remanescente, Israel — e a questão da Palestina — tornou-se, da mesma forma, um teste para nossa consciência coletiva.

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O destino da Palestina é inseparável do destino moral e político do próprio mundo. Mas a história não termina aí. Produzindo a Palestina volta nossa atenção para as muitas outras maneiras pelas quais a Palestina é construída e reconstruída — por meio da arte, da mídia, da tecnologia, da pesquisa acadêmica e de atos cotidianos de imaginação. A luta pela Palestina, sugere o livro, não se resume apenas à terra ou à representação. Trata-se também de como o significado, a memória e a identidade são construídos e reconstruídos.

Editado por Helga Tawil-Souri e Dina Matar, Produzindo a Palestina questiona o que significa imaginar uma nação submetida à violência colonial. As editoras reúnem artistas, acadêmicos e agentes culturais que, de diferentes maneiras, continuam a construir a Palestina por meio da mídia, da arte, da memória e da tecnologia.

Em sua essência, Produzindo a Palestina examina o trabalho criativo necessário para sustentar a Palestina, não apenas como um lugar físico, mas como uma ideia, uma cultura e um horizonte político. As editoras descrevem esse trabalho como “uma série de processos ativos sobrepostos: a experimentação e a vivência que ocorrem por meio de modos de ação culturais, midiáticos e tecnológicos”. “Produzir” a Palestina, explicam, não se trata de documentar uma realidade estável, mas de se engajar em “uma práxis animada e revigorante que envolve ‘produtores’ e ‘leitores’ de diferentes tipos”. Em outras palavras, o ato de produzir a Palestina é participativo e dinâmico, envolvendo todos que a criam, interpretam ou até mesmo a imaginam.”

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