Israel intensificou sua “guerra psicológica”, de acordo com oficiais e analistas, na Cidade de Gaza, a fim de aterrorizar os palestinos para que deixem a região rumo ao sul, em meio a bombardeios indiscriminados.
As informações são da agência de notícias Anadolu.
Desde o início de sua operação intensiva em 11 de agosto, o exército da ocupação alvejou prédios de vários andares, casas e abrigos, ao espalhar ameaças e promessas de tendas, comida e cuidados médicos no sul de Gaza.
Apesar da propaganda, apenas 350 mil pessoas fugiram, com um milhão ainda radicadas na Cidade de Gaza.
Nesta terça-feira (16), o jornal israelense Maariv reportou uso de sinalizadores ao longo da noite, para espalhar pânico.
“Experiências prévias em Jabalia [no norte de Gaza] mostram que, uma vez que residentes veem os tanques, fogem por suas vidas”, indicou o periódico em hebraico, ao mencionar uma fonte de segurança.
O Canal 12 da televisão israelense insistiu que oficiais militares creem que a escala atual de deslocamento basta para lançar sua ofensiva por terra. Conforme o website israelense Walla, porém, os níveis são “decepcionantes”.
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A segunda-feira (15) foi uma das noites mais letais na Cidade de Gaza, com ao menos 35 palestinos mortos sob artilharia pesada. Testemunhas relataram uso de robôs carregados de explosivos para demolir casas.
Segundo o Walla, cerca de 20 mil residentes deixaram a cidade a pé em uma única noite, mas outros 650 mil decidiram ficar.
Operações de guerra psicológica coincidem com um plano amplo do primeiro-ministro de Israel e foragido internacional, Benjamin Netanyahu, aprovado em 8 de agosto, para plena reocupação de Gaza, a começar pela cidade homônima.
Desde então, a ofensiva avançou do bairro de Zeitoun a outros distritos, com devastação de larga escala.
De acordo com o gabinete de comunicação do governo de Gaza, mais de 3.600 edifícios e torres na cidade foram destruídos em parte ou no todo, no período, junto de 13 mil tendas que abrigavam famílias sucessivamente desabrigadas.
Desde outubro de 2023, a campanha de Israel — investigada como genocídio no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia — matou ao menos 65 mil palestinos — a maioria, mulheres e crianças.
Os ataques deflagraram fome, reconhecida pelas Nações Unidas, com alvos em escolas, hospitais e redes de saneamento básico, a fim de tornar o enclave inabitável. A ofensiva, com dolo declarado, constitui punição coletiva e limpeza étnica.
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